Avançar para o conteúdo principal

Espaço "Rock em Portugal"

Com o Vocalista ausente os Jafumega não deixaram os seus créditos por mãos alheias 



Link da imagem

Por Aristides Duarte

 Os Jafumega formaram-se no Porto, em 1979. Faziam parte da banda os irmãos Barreiros (Eugénio nas teclas e voz, Pedro no baixo e Mário na guitarra) que tinham pertencido ao grupo Mini – Pop, o qual teve um relativo sucesso no início dos anos 70.

Para além destes, faziam parte da banda Luís Portugal (voz), Álvaro Marques (bateria) e José Nogueira (saxofone). 

“Estamos Aí”, o seu primeiro disco era um LP, totalmente cantado em inglês. Foi lançado em 1980, pouco antes do “boom” do Rock português. Neste disco as vozes eram repartidas entre o vocalista principal (Luís Portugal) e Eugénio Barreiros. 

Em 1981 lançam o single “Dá-me Lume” que continha, no lado B, o grande sucesso “Ribeira”. O refrão de “Ribeira” andava na boca de toda a gente (“A ponte é uma passagem… P’rá outra margem”). Aderiram, portanto à moda de cantar em português e em boa hora o fizeram. 

No dia 31 de Janeiro de 1982 visitam a cidade da Guarda para um concerto integrado num Baile de Finalistas da Escola Secundária Afonso de Albuquerque. Embora conhecidos do grande público não possuíam muito reportório, pelo que tiveram que recorrer às canções em inglês, do seu primeiro LP. Os Jafumega apresentaram-se na Guarda sem o seu vocalista principal (Luís Portugal) que estava doente. 

Mesmo assim, os Jafumega não deixaram os seus créditos por mãos alheias.
Eugénio Barreiros substituiu Luís Portugal nas vozes e o concerto foi fantástico. Só que existia uma diferença. A voz de Luís Portugal era (e é) aguda, próxima do falsete, e a de Eugénio Barreiros era grave. Ora, ouvir a “Ribeira” numa voz grave nunca imaginei ser possível. O que é certo é que Eugénio Barreiros não teve qualquer problema em cantar os temas que se tornaram famosos na voz de Luís Portugal. 

Não sei se esta situação se repetiu mais alguma vez durante a existência dos Jafumega, que, durante a sua curta existência realizaram perto de 300 concertos.
Musicalmente, este concerto foi irrepreensível. 

O concerto incluiu, para além de “Ribeira”, outros temas como “There You Are”, “Take Me To The Highway”, “Keep Your Girl” ou “Dá-me Lume”. 

Também foram tocados alguns temas inéditos (que seriam editados algum tempo depois no LP “Jafumega”), tais como “Nó Cego” ou “Homem da Rádio”. 

Este concerto, devido à situação anómala já descrita,tornou-se, um dos concertos históricos a que assisti em toda a minha vida.

Para recordar, um dos temas mais icónicos do grupo: 


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Foto da Semana

Iggy Pop Foto:Annie Leibovitz

Sitiados no Luso Vintage

Link da imagem


Sob a égide de João Aguardela, um talento musical falecido em 2009, nasceu nos finais dos anos 80 uma banda que trouxe para o panorama do rock português a música tradicional. Os Sitiados marcaram (e ainda conquistam) gerações, com novos sons e sobretudo, muito talento e atitude.



Por Gabriela Chagas


O tema “Esta vida de marinheiro” (vendeu mais de 40 mil cópias) é um dos exemplos desse novo som da década. Desapareceram em 2000 , mas deixaram-nos a sua herança. Sitiados, a banda hoje em destaque no Lusovintage do Som à Letra foi beber à tendência sonora dos irlandeses The Pogues.


José Resende (Guitarra), João Aguardela (Voz) e Mário Miranda (Baixo), todos eles ex-Meteoros, juntaram-se assim ao baterista Fernando Fonseca.

À semelhança de outras bandas emblemáticas dos anos 80, os Sitiados também marcaram presença no Rock Rendez Vous. Dinamizados por João Aguardela, concorrem ao 5º Concurso de Música Moderna do Rock Rendez-Vouz e ficam em 2º lugar, atrás da banda do seu primo Ar…

Cesário Verde

 Link da imagem
Poeta pintor, poeta repórter

Cesário Verde é um poeta do século XIX que se enquadra na estética realista, ainda que nas suas produções poéticas esteja presente a influência de outras correntes como o Parnasianismo, o Impressionismo e o Surrealismo. Para o autor, o mundo externo conta de modo pimacial , e é através da "descrição" deste mundo (mutável e miscelâneo) que lhe podemos conferir a designação do poeta repórter e poeta pintor.

Por Irene Leite 


Recorrendo ao poema ,  "Num Bairro Moderno" , podemos confirmar esse gosto pela descrição: "Dez horas da manhã; uma casa apalaçada ; pelos jardins estancam-se as nascentes". Ao descrever e relatar esta paisagem , o autor recorre à técnica cinematográfica do corte e da montagem de acontecimentos justapostos, ressaltando-se o seu carácter deambulatório , o que nos leva à conclusão de que Cesário Verde é um poeta repórter. 


No entanto, a sua poesia caracteriza-se também pela existência de uma …