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Cinema Paraíso na Máquina do Tempo


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Escrito e realizado por Giuseppe Tornatore, Cinema Paraíso é possivelmente um dos maiores clássicos de cinema desde que os irmãos Lumiére decidiram filmar os seus trabalhadores a saírem da fábrica. Profundo, cómico, romântico e nostálgico, é uma verdadeira carta de amor à arte do Cinema.
Por Miguel Ribeiro


Exibido no ano de 1989 a estória conta como Salvatore Di Vita (Jacques Perrin) , agora um realizador de Cinema famoso, viveu a sua juventude na vila Giancaldo na Sicília e descobriu a paixão da sua vida. O filme é contado em flashbacks, começando com Salvatore a receber a notícia de que Alfredo (Philippe Noiret) acabou de morrer e é desta forma que somos levados aos seus tempos da juventude na pequena vila. O filme foca-se na relação entre Salvatore e Alfredo, desde criança até à altura em que saiu da vila para perseguir os seus sonhos, quase que obrigado por Alfredo que não o quer ver desperdiçar a vida naquela vila, avisando-o a nunca mais lá voltar, pois aí, ele estagnaria e não triunfaria na vida.

Não querendo mencionar certos pormenores desta obra (pois para quem ainda não viu, descobrir esses pormenores, será das melhores coisas que fará) é de notar como todas as personagens que surgem e aparecem no filme e todos os pormenores que se observa, (principalmente nas cenas no cinema) trazem mais humanidade, vivacidade, e até um certo tipo de realismo à pelicula, inserindo-nos cada vez mais neste microcosmos que é a vila de Giancaldo e fazendo-nos crer que ela existe mesmo, e que conhecemos verdadeiramente aquelas personagens que compõem a vida local.

Existem alguns pormenores que valem a pena apontar, como o facto de todo o filme ter sido dobrado, uma característica normal dos filmes italianos e franceses, (sinais de uma indústria que evoluiu neste sentido) ou de como a intenção original do realizador era de que a pelicula fosse uma espécie de obituário às salas de cinema tradicionais e do cinema tradicional em geral.

Mas aquilo que mais importa dizer sobre este filme não está a ser mencionado. E como poderia? Uma das provas de que o Cinema tem realmente um poder emocional forte, é esta obra. A banda sonora criada pelo lendário Ennio Morricone é espectacular, bonita e tem um impacto emocional tão profundo que é realmente difícil não verter uma lágrima (ou várias), quando por exemplo vemos a última cena do filme, em que Salvatore vê qual era o presente que Alfredo lhe tinha deixado para trás antes da sua morte. Provavelmente uma das cenas mais poderosas vistas num filme e uma das mais icónicas do Cinema, de tão intensa que é.

Esta é uma obra que lida com temas muito profundos como nostalgia, perda do amor, juventude, o amadurecimento e as reflexões da vida. Um filme cheio de impacto para quem teve a oportunidade de o visualizar, tanto pela estória e as actuações, como do ponto de vista técnico, onde tudo está sublime. Vencedora de vários prémios, inclusive o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, esta foi e é uma obra fantástica e uma das minhas favoritas. Lembra-nos constantemente que o amor, aquilo que mais prezamos, é a fonte de todas as nossas forças e ao mesmo tempo, causa dos maiores tormentos da nossa vida. Sem dúvida nenhuma, uma obra imperdível e intemporal. Veja, reveja e reveja outra vez.

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