quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Espaço "The Indies"

 
Simple Minds no Coliseu: “Noite de New Wave”

Tendo como objectivo inicial relatar apenas a minha experiência do concerto da banda escocesa em Portugal no passado dia 14 de Fevereiro, houve no entanto a necessidade de fazer alguns ajustes ao texto, dadas as reacções que entretanto fui lendo sobre o concerto. 
 
Por Bruno Vieira 
 
Depois de baralhar e voltar a dar, aqui fica a história do mesmo:
Anunciado claramente em diversos órgãos de comunicação social como um concerto em que a banda de Jim Kerr iria revisitar os primeiros cinco álbuns da sua carreira (tocando cinco músicas de cada um deles), estava dado o mote para uma noite de pura new wave, marcada pelo som dos sintetizadores mas onde as guitarras se fizeram ouvir e bem, não afastando de todo uma audiência mais rockeira. O facto da banda não tocar os grandes clássicos de meados dos anos 80 e inícios de 90, seria um mero acidente de percurso tendo em conta os objectivos desta digressão de 16 datas, que começou em Lisboa e irá terminar no dia 4 de Março na Irlanda. Não foi de facto um concerto em formato best-of para um público mainstream (onde a escolha de um espaço como o Campo Pequeno ou o Pav. Atlêntico seriam mais apropriados), mas sim um concerto para fãs ou então verdadeiros interessados por música, um evento de culto único, que definitivamente não era para todos, daí ter sido escolhido um espaço bem mais pequeno, como o Coliseu de Lisboa.

O interesse pela new wave (de um modo geral) já vem de longe, pese embora conhecesse pouco mais de uma dezena de músicas da banda relativas a este período, graças a “Glittering Prize” (o meu primeiro best-of) e de mais alguma pesquisa por conta própria. Não posso afirmar que o período mais mediático da banda me tenha passado ao lado, mas o gosto pela descoberta deste passado menos conhecido, fez do concerto de terça-feira uma espécie de “cereja no topo do bolo”.

Com 25 músicas previstas no alinhamento e uma sala praticamente lotada, na qual sobressaia sem surpresa o público da faixa etária dos 40/50, os Simples Minds iniciaram a ordem de trabalhos com “I Travel”, tema de abertura do primeiro álbum da década de 80 “Empires and Dance”, seguida de “Today I Died Again” do mesmo álbum, em certa medida a fazer lembrar os Ultravox da era John Foxx. Nesta altura os Simple Minds disputavam o mesmo campeonato de bandas como INXS ou U2, que antes de atingirem o estrelato orbitavam também no universo post-punk e new wave.



Na primeira parte do concerto, realce para “Wasteland”, “Life In a Day” e sobretudo “Love Song”, provavelmente a que mais terá mexido com todos aqueles que torciam pelos grandes êxitos, e também porque o dia do concerto coincidia com o dia dos namorados. Tal como começou, a primeira parte terminaria com “Room”, tema do álbum “Empires and Dance”, ao que se seguiu um intervalo de cerca de 15 minutos, tal como anunciado antes do início do concerto.



A segunda parte abriu e fechou com temas relativamente conhecidos como “The American” e “Someone Somewhere in Summertime”. Pelo meio de referir também o imperdível “Promised You A Miracle”, o denso “Celebrate” novamente de “Empires and Dance” (encerrando as músicas tocadas deste álbum), bem como outros interessantes como “Sweat In Bullet” e “Changeling”. Fazendo bem as contas e volvidas 20 músicas tocadas, era mais que certo que as 5 que faltavam só poderiam ser tocadas no decorrer do encore. E assim foi com o instrumental “Themes For Great Cities”, seguido de “Glittering Prize” outras das mais conhecidas. Antes do terminus com “New Gold Dream” do álbum homónimo, realce para o delicioso e viciante “Chelsea Girl” do álbum  “Life In Day” de 1979.



Deste concerto só posso dizer que foi uma experiência única, apenas proporcionada pelo repertório temático e rico que a banda trouxe, o que não é muito habitual já que a maioria dos concertos acabam invarialvelmente no clássico formato best-of, mais apelativo. Assim sendo quer a banda, quer a promotora, quer a própria rádio que em Portugal apoiou este concerto estão de parabéns por não terem tido receio de arriscar num espectáculo que estava longe de ser para as massas, o mesmo que dizer, comercialmente correcto.

Jim Kerr, líder da banda desde o seu início em 1977, continua um excelente performer e nem mesmo a sua voz parece acusar o passar dos anos, sendo um privilégio ver, nos dias de hoje, um músico dos tempos da velhinha new wave em tão boa forma, sem parecer decadente.

Quanto à reacção do público e apesar de algumas caras descontentes pelo facto dos grandes êxitos não terem sido tocados, a recepção à banda escocesa foi na maior parte do tempo calorosa. Mesmo para muitos que foram ao engano, terá prevalecido o facto de estarem em frente de um líder carismático de uma banda que assegurou já o seu lugar na história da música. Pode não ter havido lugar para grandes coros (salvo pontual excepção), mas houve certamente calor humano e saber receber por parte do público português, muito longe da banda ter sido vaidada como, infelizmente, já pude ler.

Neste aspecto não posso deixar de manifestar o meu descontentamento pela má publicidade que muitos pseudo fãs da banda, supostamente entendidos mas pelos vistos pouco conhecedores do seu passado, tiveram o cuidado de fazer passar. Li de tudo: “lamentável”, “isto não se faz", “pior concerto de sempre”, “muito fraco”, “grande seca” e “enganados”. Mas o chorrilho de disparates ainda foi mais longe: desde “onde estão os êxitos anteriores a 1990?”, “não tocaram as músicas anunciadas nos spots” até “concerto para um público underground”. Curioso que alguém tenha afirmado ainda “não ter sido revisto o passado da banda”, provavelmente não terão presenciado o mesmo concerto, enfim. A todos estes peritos em Simple Minds da velha-guarda, os quais orgulhosamente ostentam no seu curriculum o concerto no Estádio de Alvalade em 1990, apenas sugiro que façam o trabalhinho de casa antes de se meterem num concerto que vai para além do óbvio. Para muita gente a carreira dos Simple Minds terá começado apenas em 1985, puro engano, antes de serem conhecidos do grande público já a banda tinha 6 álbuns editados.

Parte das críticas que se fizeram ouvir só se justificariam se se tratasse de um concerto em formato clássico, mas não foi o caso. Tudo o que se tem dito acerca do mesmo só me permite concluir que existe ainda uma faixa muito significativa de público para quem a música são meia dúzia de êxitos do passado que ficaram no ouvido e que ainda passam na rádio, e pouco mais. Nada contra, desde que não se façam passar por experts (nem sempre a antiguidade é um posto). Gostar de música não tem tanto a ver com a idade, mais pelo interesse que se demonstra pela mesma. Muito ou pouco, o que sei é mais do que suficiente para concluir que há mais vida para além dos grandes êxitos. Não gostaria de terminar sem falar da reedição dos 5 primeiros álbuns dos Simple Minds, numa edição especial que será posta à venda em Portugal no próximo dia 20 de Fevereiro. Trata-se de um documento histórico, recomendado sobretudo a fãs da banda e de new wave.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

David Bowie em Modo Pop

 
 
 
O tema “China Girl” é o fruto de uma colaboração entre David Bowie e Iggy Pop, tendo inicialmente surgido no álbum “The Idiot”, de Iggy Pop em 1977. Mas o sucesso deste tema só viria a ser reconhecido seis anos mais tarde quando Bowie o reinterpretou e o incluiu no disco “Let’s Dance” de 1983. Esta versão da “China Girl”, produzida por Nile Rodgers, alcançou o n.º 2 do chart britânico e a 10ª posição nos Estados Unidos.

Por Carmen Gonçalves



Apesar do sucesso alcançado, o vídeo chegou a ser banido em vários países, mas rodava insistentemente na MTV, tendo ganho o primeiro prémio desta emissora na categoria de “Best Male Video”, dos Video Music Awards de 1984. Além de fazer história na música dos tempos modernos, este vídeo relata a história de uma mulher oriental que sucumbe aos valores deturpados de uma sociedade ocidental. Há quem diga que não é mais que o relato da relação amorosa entre Iggy Pop e uma rapariga vietnamita pela qual se apaixonou. Sendo baseado em factos reais, ou sendo apenas produto da imaginação e da criatividade de Bowie e Pop, o resultado está à vista, e ainda hoje é considerada uma das música mais influentes da década de 80.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Feist na Dança do Som




Ela vem lá da outra terra. Do outro mundo. Mas daquele mais lá para cima. Aquela terra onde a criminalidade não faz parte do pão nosso e onde toda a gente é bilingue quer queira quer não. E com ela trouxe uma guitarra de seis cordas, umas pernas esguias, uma franja longuíssima e uma voz tão doce e extasiante que leva até o mais durão a um sentimento de pura locomoção. Já lançou quatro álbuns, sendo que o último, ainda que não seja feito dessa matéria, traz no nome todo um poderosíssimo magnetismo envolvente. Feist é o seu nome.

Por Ana Luísa Silva

Aos 35 anos de idade, Leslie Feist pode bem dizer que já viveu bem a vida e que a mesma lhe sorriu constantemente. Começou a sua carreira, nada mais nada menos do que a pertencer a uma banda chamada – admire-se! – Placebo. Garantimos que a mesma nada tinha a ver com a presentemente reconhecida banda de Brian Molko, ainda que isso lhe suscite alguma dúvida.

Corria o ano de 1999, quando a menina do Canadá, pegou na guitarra e assumiu a liderança num grupo musical chamado By Divine Right. Como se isso não bastasse, ainda teve a sorte de dividir apartamento com Peaches que – já naquela altura saudavelmente tresloucada cantora electro-punk – a convida para um excêntrico concerto ao vivo, a apresenta ao produtor Gonzales e a ajuda a dar um pulinho até pertencer à banda Broken Social Scene.

Gonzales e Feist começam a trabalhar juntos em originais e em covers de Bee Gees ou mesmo Ron Sexsmith. Os primeiros originais levaram a “Let It Die”, lançado pela primeira vez em 2004, que só ganha bom nome graças ao single “Mushaboom”. O álbum não foi nenhum “blockbuster” da música, mas foi vendendo bem ao longo do seu crescimento. “The Reminder”, esse álbum de chumbo que, em 2007 se tornou um hit graças a “1234” e ao seu colorido vídeo.



2008 foi o ano guerreiro de Feist já que foi nomeada para quatro Grammy e ganhou cinco prémios Juno.

Lançou recentemente “Metals”, esperado pelo público há já algum tempo e é já no próximo mês que estará em Lisboa e no Porto para cantar e encantar os presentes e a todos aqueles que não puderam estar lá mas que receberão telefonemas da praxe nas músicas do coração.|

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Aviso à navegação




O ciberjornal Som à Letra nasce oficialmente a 19 de Fevereiro, pelo que a actualização noticiosa será mais parada até essa data.
Temos uma edição especial para você e não queremos que lhe falte nada. 
Até lá vamos revisitando os artigos dos ultimos tempos. 

Até já

Som À Letra - Apresentação from Som À Letra on Vimeo.

A equipa do Som À Letra

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Espaço "Cine À Letra"



Neste mês de Fevereiro, o Ciné à Letra tem vários filmes para vos falar que estão a estrear no nosso país. Este mês estreiam obras que vão desde a comédia ao drama, da fantasia à guerra, mas o mais importante é que finalmente chegam a Portugal obras que muitos esperavam.

Por Miguel Ribeiro 
 
A abrir este mês temos de volta os nossos velhos amigos Os Marretas. A Disney decidiu adquirir os direitos para a realização deste filme que conta com Cocas, Miss Piggy, Fozzie, Animal e Gonzo entre muitos outros. A estória debruça-se sobre um milionário do petróleo que quer destruir o Teatro dos Marretas para planos de construção futuros, pelo que os Marretas que entretanto tinham se separado tentam voltar a juntar-se para reunir os 10 milhões de dólares necessários para resgatar o Teatro. Esperam-se muitos risos e nostalgia neste que é provavelmente o filme que estará a estrear em mais salas do país, garantido que está que tantos os miúdos, mas principalmente os graúdos, irão ver este filme nos cinemas.

Nomeado para os Óscares em 10 categorias, está o próximo filme a mencionar Os Artistas, filme de produção francesa e que merece os louvores que lhe têm dado. Este filme faz uma abordagem à era do cinema mudo e narra a estória de Valentin (Jean Dujardin), um grande actor com sucesso que conhece Peppy na altura em que o som chega aos cinemas e ela se torna numa grande actriz. Uma obra que devolve alguma magia à visualização de um filme num cinema e que se torna numa autentica viagem no tempo para os espectadores que decidam ver esta grande obra.

Martin Scorcese está de regresso, desta feita com A Invenção de Hugo, que conta a estória de um orfão que vive nas paredes de uma estação de comboios em Paris e de uma fechadura estranha em forma de coração, ao que tudo indica, sem chave. Esta obra que foi a mais nomeada na edição deste ano dos Óscares, mostra Martin Scorcese, num registo totalmente diferente do habitual, onde em vez de lidar com um público mais adulto, vira-se para os mais jovens, num filme que conta ainda com o jovem Asa Butterfield no meio de actores como Johnny Depp, Michael Pitt, Sacha Baron Cohen, Jude Law, Ben Kingsley e Christopher Lee, entre outros.
 
Meryl Streep é a estrela de A Dama de Ferro, um filme biográfico que rendeu mais uma nomeação de melhor actriz a Streep e que mostra a luta interna que Margaret Thatcher passou a nível pessoal para lidar com as memórias do seu marido e o que teve de sacrificar pela sua carreira profissional, um bom drama que conta também com actores como Anthony Head e Jim Broadbent. A aparecer mais para o final do mês temos vários filmes interessantes; We Need to Talk About Kevin é um filme realizado e escrito por Lynne Ramsay e que conta uma estória dura sobre uma mãe, Eva, (interpretada por Tilda Swinton) que tem um filho que cometeu um massacre na escola e tem que lidar com os frutos da sua educação e a vida complicada que tem. Um filme que recebu boas críticas em Cannes e que consegue laçar um debate importante em volta da culpa ou não dos pais sobre os que os nossos filhos se podem tornar. Um filme duro que conta também com John C. Reilly.

Para terminar, a chegar aos cinemas de Portugal temos também o último filme de Steven Spielberg, Cavalo de Guerra, um filme que embora não tenha sido fortemente abraçado pelos Óscares este ano, mesmo assim merece que os espectadores vejam esta obra, que conta a estória de um cavalo de nome Joey que é vendido como cavalo de guerra e de Albert, amigo inseparável de Joey que depois de o perder para o lado dos alemães o reencontra na Inglaterra enquanto junto das fileiras dos Aliados, no entanto é incerto que possam voltar juntos para casa. Um filme dramático e forte emocionalmente, que no meio desta viagem vai mostrando os outros lados da guerra e também questionando a humanidade, contando ainda com a excelente orquestração musical de John Williams que mais uma vez concede profundidade emocional ao filme. A não perder.

Da equipa de Som à Letra desejamos um excelente mês para todos os que nos seguem e não se esqueçam dia 26 de Fevereiro de verem o espectáculo dos Óscares em directo, que apesar de estar um pouco pobre este ano no que toca às nomeações em si, ainda assim conta com o regresso de Billy Cristal para animar as hostes e oferecer um bom espectáculo.

The Horrors e Battles no festival Super Bock, Super Rock





 The Horrors

O 18º Super Bock Super Rock inaugura-se com os Battles, Pete Doherty e Apparat a actuarem no dia 5, The Horrors no dia 6 e, no dia seguinte, os suecos Little Dragon .
O palco continua a ser a  Herdade do Cabeço da Flauta nos dias 5, 6 e 7 de Julho .

Também o preço dos bilhetes se mantém: o bilhete diário custará €45 e o passe de 3 dias (campismo incluído desde o dia 4 de Julho) ficará nos €80.

Até lá...


Espaço "Rock em Portugal"


Carlos Barata é membro da Ronda dos Quatro Caminhos, uma banda de recriação da música tradicional portuguesa, que dispensa apresentações.
Nos anos 70 do século XX foi vocalista dos KAMA- SUTRA, uma banda importantíssima, que, infelizmente, não deixou nada gravado. Concedeu-nos esta entrevista.

Por Aristides Duarte 

P: Como era a cena Rock portuguesa, nos anos 70, quando era vocalista dos Kama - Sutra e quais as bandas de Rock por onde passou?

 R: Eu nasci em Tomar, terra que, por razões várias, sempre teve alguma vitalidade musical. Aí comecei com um grupo chamado “Os Inkas” que depois se transformou na “Filarmónica Fraude” com quem eu gravei a “Epopeia”, seu único LP. Quando posteriormente fui morar para Almada fui para um grupo chamado Ogiva, já com o Gino Guerreiro que foi depois meu companheiro nas três formações do Kama -Sutra. São estas as formações mais salientes a que pertenci embora pudesse acrescentar, para um retrato completo, outras formações de mais curta duração em que toquei com muitos músicos de grande valor daqueles tempos. 
Era um tempo heróico, o Rock, não da baliza às costas mas da aparelhagem às costas, antes do aparecimento dos “roadies”, em que os músicos faziam tudo e ainda agradeciam. Talvez não seja muito diferente do que nalguns casos é hoje mas nós éramos completamente viciados na música. Só estávamos bem a tocar e a ensaiar dias inteiros. Era um prazer enorme. 

P: Quais foram os elementos que passaram pelos Kama -Sutra?

R: Na primeira formação estiveram o Rui Pipas (Rui Pereira da Silva), um grande guitarrista de Castelo Branco, o Pedro Taveira, um baterista enorme, do Porto, o meu companheiro de sempre (Gino Guerreiro) e eu.  Depois o Pipas foi para a tropa e entrou o Zé Cancela para os teclados e o Jaime Gonçalves para a guitarra.Por fim entrou, para substituir o Pedro Taveira, o Zé da Cadela que também era (e é), de Almada.

P: Os Kama- Sutra nunca editaram nenhum disco. Hoje são recordados com saudade por muitos que os viram ao vivo. Imaginava que isso pudesse acontecer, passados tantos anos?

R: Eu não tenho muitos ecos da saudade que deixámos. Lá vou ouvindo, muito de vez em quando, qualquer coisa, mas é mais de amigos ou de alguém que encontro quando vou tocar com a Ronda. O que eu posso garantir é que eu tenho imensas memórias boas desses tempos e a certeza de que a qualidade e o vanguardismo do Kama- Sutra merecia que dele houvesse uma melhor memória. Criou-se música, nesse tempo, que hoje só existe na minha cabeça e isso, não sendo uma perca para a humanidade é, de facto, uma pena. 

P: Hoje é músico na Ronda dos Quatros Caminhos. Ainda continua a gostar de Rock, sobretudo dos anos 70?

R: Às vezes digo, a brincar, que o rock morreu com o fim dos Genesis, dos Gentle Giant, dos Jethro Tull, dos Crosby, do Emerson, do meu ídolo Frank Zappa… e de muitos outros. Durante alguns anos, a ver o aparecimento de músicos de grande sucesso que vieram ocupar o lugar daqueles e que, para o meu gosto, não tinham muito interesse, receava que alguma coisa me estivesse a escapar. Hoje verifico que anda muito miúdo a descobrir tudo aquilo e sinto-me muito orgulhoso da música do meu tempo e tenho a certeza de que ela correspondeu a um período único de criatividade em que a indústria ainda não tinha tomado conta de tudo. Continuo a ouvir, consumir e divulgar muita música desse tempo (mas não só)

P: Os Santiago (um projecto paralelo à Ronda e que, há uns anos, deu um magnífico concerto na Guarda) só editou um álbum. Não há nada de novo programado para edição, pelos Santiago? 

R: Eu e os meus parceiros actuais estamos na música por muitas razões mas a principal é o prazer que dela tiramos. Por vezes, aquela “graça” de estar em cima de um palco implica um esforço e um trabalho cuja grande compensação é o gozo de fazer música. O Santiago veio satisfazer uma vontade nossa de fazer música original. De pôr em CD músicas que tocamos no intervalo dos ensaios e que achávamos ser interessantes para publicação. Temos outro trabalho completamente acabado que não sai porque outras coisas se colocam como prioridade. Já pensámos oferecê-lo com um próximo trabalho da Ronda. A ver vamos…

P: Acha que a recriação da música tradicional portuguesa, tal como a faz a Ronda, continua a ser uma corrente importante da música portuguesa?

R: A música tradicional é rica, interessante e faz parte de uma coisa em desuso que é a identidade nacional. O modo como a Ronda o faz é apenas uma das maneiras como pode ser feita. Mais importante é que haja muita gente, com opções e características diferentes, que continue a criar música baseada na tradição. Acresce que, não sendo uma música que esteja na moda, tem dado à Ronda razão de existir com dignidade e, pode-se considerar, algum sucesso.

P: Para quando um novo álbum da Ronda dos Quatro Caminhos?

R: A Ronda está a trabalhar em grande força para preparar três espectáculos e aproveitamos até para convidar as pessoas a estarem presentes no segundo deles. Na Idanha, no próximo dia 28 de Outubro, vão-se apresentar com a Ronda um quarteto de cordas, um grupo de seis cantadores alentejanos e as Adufeiras de Monsanto. A Ronda adaptou três canções do reportório da Beira para este último grupo e estamos em grande expectativa para ver como tudo se irá conjugar em palco.No dia 21 será em Mértola onde se apresentarão também os “Cantadores de Mértola” para os quais fizemos também três “modas”. Por fim, em 11 de Novembro, todos os grupos referidos mais o coro misto “Eborae Musica”, para quem fizemos também três adaptações de músicas tradicionais, farão um espectáculo que será gravado para posterior publicação em CD.

P: A Ronda dos Quatro Caminhos já actuou, várias vezes, no distrito da Guarda. Tem boas recordações do público deste distrito?

R: É uma zona do país onde gostamos muito de ir, não só porque somos normalmente bem recebidos pelo público como também porque aí se faz boa cozinha portuguesa e esse é um factor de acrescido interesse para nós.

Por último gostaria de agradecer a oportunidade de dar esta entrevista em que falei mais de mim do que é costume e tive o prazer de recordar tempos muito felizes. Tenho a sorte de sempre ter feito música e esta carreira tão longa é, apesar de discreta, um grande motivo de orgulho para mim. Muito obrigado.

The Shins no Vídeo da Semana




LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...