Avançar para o conteúdo principal

Forrest Gump na Máquina do Tempo



My momma always said, "Life was like a box of chocolates. You never know what you're gonna get."

                                                                                                          Forrest Gump


Baseado no livro homónimo de Winstom Groom, Forrest Gump é provavelmente um dos filmes mais consensuais quanto ao seu valor e qualidade a sair dos E.U.A. nos anos 90. Ao que se deve tamanha façanha que Robert Zemeckis atingiu?

Por Miguel Ribeiro

Realizado por Robert Zemeckis (Quem Tramou Roger Rabbit, Regresso ao Futuro) e com Tom Hanks (Forrest Gump), Robin Wright (Jenny Curran) e Gary Sinise (Tenente Dan Taylor) o filme mostra a estória de um jovem norte-americano, nascido no estado de Alabama, a quem o director da escola determina que Forrest tem um QI de 75, mas que indepedentemente das suas aparentes limitações e com o amor e apoio da sua mãe, vive uma vida cheia de aventuras, passando por situações incríveis , como a guerra do Vietname, conhecendo figuras incontornáveis como John Lennon e J.F.K , entre muitas outras situações.

A obra centra-se inicialmente na sua relação com o amor da sua vida, Jenny. A jovem conhece Forrest quando ainda são crianças, sendo a única que o aceita automaticamente sem quaisquer julgamento. Ao longo da sua vida adulta, vão-se encontrando e desencontrando à medida que cada um deles vai percorrendo o seu percurso.

Contudo, é  interessante reparar na contextualização de ambas as personagens no tempo; enquanto Forrest vai vivendo as suas situações caricatas e mostrando uma faceta do mundo vista através dos seus olhos, normalmente de uma forma despreocupada, mas de maneira decente e saudável, Jenny mostra o lado
do activismo, da rebeldia, uso de drogas e experimentação dos limites. No entanto são duas personagens que, embora de forma diferente, vão tentando viver a vida ao máximo.

As personagens secundárias que Forrest encontra no seu caminho fazem todas parte de um todo com propósito na estória: Bubba, o seu amigo no Vietname que quer criar uma empresa de pesca de camarão, Tenente Dan, que reflecte o espírito norte-americano de cinismo e confusão relativamente ao que se passava no país e à guerra que lutavam.

A montagem do filme é simples, mas excelentemente executada, dando um bom ritmo e facilitando as transições de tempo das várias situações que se apresentam, sempre bem conjugado com uma grande banda sonora , com nomes como Elvis Presley, Creedence Clearwater Revival, Aretha Franklin, Lynyrd Skynyrd, The Doors entre outros que representam a época.

 
O filme também marcou pelos efeitos especiais usados para integrar a personagem de Forrest, em cenas como o contacto com JFK, com uso de blue-screen e imagens de arquivo, ou as cenas simbólicas para a estória do filme como a pena a surgir no inicio da película  e no fim, espelhando a filosofia da obra e da própria personagem de Forrest, que como uma pena, parte só com ajuda da brisa para a sua
aventura.

Esta obra ficou marcada no tempo e no pensamento das pessoas. Com um orçamento de 55 milhões de dólares, fez mundialmente 667 milhões de dólares só nos cinemas e ganhou seis óscares incluindo o de melhor realizador, melhor actor principal e melhor filme. Mas o que torna Forrest único, é a simplicidade da estória, onde sem grandes conflitos cliché, queremos simplesmente assistir à viagem desta personagem e ver aonde é que ele vai parar e o que lhe acontece de seguida. De facto, mágico.

Confira o trailer:

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Roquivários no Luso Vintage

Link da imagem O início da década de 80 ficou marcado pelo aparecimento de diversas bandas rock no panorama nacional. A causa foi o estrondoso sucesso do álbum de estreia de Rui Veloso “Ar de Rock” que abriu caminho para novas bandas emergirem. Umas singraram na cena musical, até aos dias de hoje, caso é dos Xutos & Pontapés, UHF ou GNR, enquanto outras ficaram pelo caminho, após algum sucesso inicial. Destas destacam-se os Roquivários que encontraram no tema “Cristina” o seu maior êxito junto do público.    Por Carmen Gonçalves A banda formou-se em 1981 no seguimento do “boom” da cena rock, sob o nome original de “Rock e Varius”. Esta designação pretendia reflectir as influências musicais que passavam por vários estilos, não se cingindo apenas ao rock puro e duro. A música pop, o reggae e o ska eram variantes fáceis de detectar no seu som, e que marcaram o disco de estreia , “Pronto a Curtir”, editado em 1981.   Apesar de a crítica ter sido dura c...

Patrick Wolf em Modo Pop

 Link da imagem O primeiro Modo Pop do mês leva-o a um universo de excentricidades e manias que só um conhecido senhor na onda electrónica podia praticar. Convosco Patrick Wolf.    Por Ana Luísa Silva Menino mauzão, irreverente e deveras surpreendente. É assim que o conhecemos e é assim que ele se deu a conhecer na cena musical. Mas as pessoas vão amadurecendo, mudando e Wolf está a crescer. O adolescente mais colorido da onda indie começou por lançar dois álbuns que de certo modo não passaram de pouco atraentes ( Lycanthropy em 2003 e Wind in the Wires em 2005), juntando delicados toques de piano e cordas à electrónica mais grotesca. Os dois álbuns foram carismáticos e muito “Patrick-Wolf-adolescente”, mas não chegaram para elevar o artista ao estrelato que ele pretendia.  E é com The Magic Position que Wolf consegue sacudir as nuvens negras e manhosas que se instalaram sob a sua carreira com os álbuns anteriores, redefi...

The Feelies em Modo Classic Rock

Link da imagem Um tema original dos Rolling Stones editado em 1966. A letra triste e revoltada, o compasso forte, a voz de Mick Jagger e a guitarra de Richards ficam no ouvido de todos e, umavez que se oiça, é impossível esquecer Paint it Black… Agora em análise no Modo Classic Rock  desta semana, com especial atenção para a versão dos The Feelies: para conhecer ou relembrar. Por Maria Coutinho Depois de ser o primeiro nº 1 de tabelas de vendas onde um dos instrumentos de destaque é a cítara (tocada por Brian Jones), o hino de revolta de Jaegger/Richards ganhou uma nova batida indie/punk pela mão dos The Feelies, a banda de New Jersey que deu cartas na cena alternativa de Nova Iorque desde o final dos anos 70 a 1992. A história da banda é tudo, menos linear: teve de várias formações, diferentes editoras, períodos de actividade e repouso, fracos resultados de vendas, mas muita notoriedade na cena musical alternativa americana. Os The Feelies chegaram a ser conhe...