Avançar para o conteúdo principal

O primeiro álbum de… INXS!

 Link da imagem


Por Bruno Vieira

A crónica que aqui escrevo quinzenalmente sob a rubrica “The Indies”, como já devem ter reparado, não pretende abordar apenas assuntos relativos à cena indie actual. Já por diversas vezes trouxe ao “Som à Letra” temas mais vintage, desde que os mesmos não fujam às orientações editoriais do ciberjornal, respeitando uma abordagem vintage e vanguardista- E também porque a temática indie não se esgota apenas na última década (também chamada de noughties), existindo pelo menos desde o surgimento do movimento punk, em meados dos Anos 70. Vamos então ao que interessa, ou seja, ao 1º álbum de…

Os U2 foram a primeira banda que aqui trouxe para falar do seu primeiro álbum “Boy”, de 1980. Desta feita O 1º álbum de... vai falar de outra grande banda que, pelo menos durante a década de 80 e início de 90, chegou a rivalizar em popularidade com os irlandeses. Falo dos INXS, provavelmente a mais popular banda de Rock da Austrália. 

Êxitos como “Original Sin” e “Listen Like Thieves” abriram as portas do sucesso, mas seriam os álbuns “Kick”, de 1987 (New SensationDevil Inside, Need You TonightNever Tear Us ApartMystify...) e “X”, de 1990 (Suicide BlondeDisappearBy My SideBitter Tears...) a consagrar definitivamente o grupo como um fenómeno à escala global. 

Os INXS foram, de facto, uma banda que facilmente esgotava grandes estádios por todo o mundo. Como exemplo maior temos o grandioso concerto no antigo Estádio de Wembley, em 1991. Apesar de todo este mediatismo, as vozes críticas duvidavam das virtudes do colectivo liderado por Michael Hutchence, apontando o dedo para o rock demasiado formatado dos australianos. As performances ao vivo também não escaparam à crítica, apresentando poucas diferenças em relação às versões de estúdio. Para os mais puristas, os INXS dificilmente eram olhados como uma verdadeira banda de rock.

No entanto o carisma do seu vocalista e as excelentes produções dos videoclips acabariam por se tornar em imagens de marca da banda. No final da década de 80 os INXS eram “cool” e orgulho de qualquer jovem que se dizia fã ou apenas simpatizante da sua música. Mas dez anos antes, a realidade era bem diferente e os INXS não passavam de uma banda New Wave relativamente desconhecida.

 “Just Keep Walking” foi o single de apresentação retirado do primeiro álbum homónimo, cujo videoclip terá custado a módica quantia de 1.200 dólares. Com uma produção quase artesanal, Michael Hutchence apresenta-se num estilo próximo de Mick Jagger, em termos físicos e de performance.

A sonoridade pouco ou nada tinha a ver com o som que tornaria o grupo conhecido do grande público anos mais tarde. A prova disso é o single “Just Keep Walking” que aproximava-os mais de uns Talking Heads ou de uns Duran Duran dos primeiros tempos. 

A recordar…



Comentários

Mensagens populares deste blogue

Foto da Semana

Iggy Pop Foto:Annie Leibovitz

Sitiados no Luso Vintage

Link da imagem


Sob a égide de João Aguardela, um talento musical falecido em 2009, nasceu nos finais dos anos 80 uma banda que trouxe para o panorama do rock português a música tradicional. Os Sitiados marcaram (e ainda conquistam) gerações, com novos sons e sobretudo, muito talento e atitude.



Por Gabriela Chagas


O tema “Esta vida de marinheiro” (vendeu mais de 40 mil cópias) é um dos exemplos desse novo som da década. Desapareceram em 2000 , mas deixaram-nos a sua herança. Sitiados, a banda hoje em destaque no Lusovintage do Som à Letra foi beber à tendência sonora dos irlandeses The Pogues.


José Resende (Guitarra), João Aguardela (Voz) e Mário Miranda (Baixo), todos eles ex-Meteoros, juntaram-se assim ao baterista Fernando Fonseca.

À semelhança de outras bandas emblemáticas dos anos 80, os Sitiados também marcaram presença no Rock Rendez Vous. Dinamizados por João Aguardela, concorrem ao 5º Concurso de Música Moderna do Rock Rendez-Vouz e ficam em 2º lugar, atrás da banda do seu primo Ar…

Cesário Verde

 Link da imagem
Poeta pintor, poeta repórter

Cesário Verde é um poeta do século XIX que se enquadra na estética realista, ainda que nas suas produções poéticas esteja presente a influência de outras correntes como o Parnasianismo, o Impressionismo e o Surrealismo. Para o autor, o mundo externo conta de modo pimacial , e é através da "descrição" deste mundo (mutável e miscelâneo) que lhe podemos conferir a designação do poeta repórter e poeta pintor.

Por Irene Leite 


Recorrendo ao poema ,  "Num Bairro Moderno" , podemos confirmar esse gosto pela descrição: "Dez horas da manhã; uma casa apalaçada ; pelos jardins estancam-se as nascentes". Ao descrever e relatar esta paisagem , o autor recorre à técnica cinematográfica do corte e da montagem de acontecimentos justapostos, ressaltando-se o seu carácter deambulatório , o que nos leva à conclusão de que Cesário Verde é um poeta repórter. 


No entanto, a sua poesia caracteriza-se também pela existência de uma …