Avançar para o conteúdo principal

Destaque



“Por vezes a música é a única forma de melhorar a vida”


Janis Joplin




Se há vozes que, no universo musical, carregam consigo um nítido traço distintivo, uma delas será sem dúvida a de Janis Joplin. Irrequieta, provocadora, inconformada, decadente e com uma autenticidade inocente em palco, a cantora e compositora foi um símbolo de entrega incondicional à música que interpretou.

Por Luis Vendeirinho


Janis Lyn Joplin bebeu desde jovem as influências dos blues, texana nascida em Port Arthur a 19 de Janeiro de 1943. Começou por cantar no coro da terra natal e, já na Universidade, em Austin, cantava blues e folk com os amigos adolescentes. 

A influência da Beat Generation, que se via representada por escritores como Jack Kerouac e Allen Ginsberg na década de 50, foi decisiva no modo de estar de Janis Joplin. A rejeição dos valores tradicionais, a liberdade sexual, a experiência das drogas e a propensão para a filosofia oriental eram comuns à geração beat. A carreira da artista, propriamente dita, começou em 1963, em S. Francisco como cantora folk.

A primeira banda a que Janis Joplin ficou ligada, já residente em S. Francisco, foi a Big Brother & the Holding Company. Depois do sucesso no Festival de Monterey, o álbum Cheap Thrills acabou por consagrar a cantora enquanto integrava o grupo. É de realçar que a capa do álbum Cheap Thrills (“emoções baratas”) foi eleita pelos leitores da Rolling Stone como a nona  melhor capa de todos os tempos, um ícone da arte underground.




A discografia de Janis Joplin será tão importante quanto curta. Dos seis álbuns da cantora, três foram editados postumamente. Os dois primeiros são do tempo da parceria com os Big Brother, enquanto o terceiro premiou o grupo que a vocalista formou com o nome Kozmic Blues Band, em 1969. Temas inesquecíveis como Me and Bobby McGee e Cry Baby fizeram já parte do disco Pearl (1971), com a Full Tilt Boogie Band, e que viu a luz do dia seis meses após a morte de Janis. Joplin: in concert é editado em 1972 e Live at Winterland ’68 homenageia já em 1999 os velhos tempos da Big Brother.



O momento de Janis Joplin, em que teve o seu público mais vasto ao vivo, no ambiente que era o seu, poderá ter sido o sábado 16 de Agosto de 1969. No Festival de Woodstock cantou os seus dez temas, num épico epitáfio da curta vida, sobre o palco a que nesse dia, entre outros, subiram também Carlos Santana, os Creedence Clearwater Revival e os The Who.



Em 1979 foi dedicada a Janis Joplin uma singular forma de celebrar a sua carreira, a sua música e o seu desalento perante o mundo. Estreou-se o filme The Rose, em que o papel de Janis foi interpretado por Bette Midler, numa tentativa de assinalar a breve passagem da cantora e da mulher frenética pelos palcos do mundo.



Janis Joplin não resistiu à sua derradeira dose de heroína, vindo a morrer em Los Angeles no dia 4 de Outubro de 1970. E as suas cinzas, deitadas ao mar, não levaram com elas nem o talento da artista, nem o sorriso que todos aqueles que a conheceram não esquecem.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Foto da Semana

Iggy Pop Foto:Annie Leibovitz

Sitiados no Luso Vintage

Link da imagem


Sob a égide de João Aguardela, um talento musical falecido em 2009, nasceu nos finais dos anos 80 uma banda que trouxe para o panorama do rock português a música tradicional. Os Sitiados marcaram (e ainda conquistam) gerações, com novos sons e sobretudo, muito talento e atitude.



Por Gabriela Chagas


O tema “Esta vida de marinheiro” (vendeu mais de 40 mil cópias) é um dos exemplos desse novo som da década. Desapareceram em 2000 , mas deixaram-nos a sua herança. Sitiados, a banda hoje em destaque no Lusovintage do Som à Letra foi beber à tendência sonora dos irlandeses The Pogues.


José Resende (Guitarra), João Aguardela (Voz) e Mário Miranda (Baixo), todos eles ex-Meteoros, juntaram-se assim ao baterista Fernando Fonseca.

À semelhança de outras bandas emblemáticas dos anos 80, os Sitiados também marcaram presença no Rock Rendez Vous. Dinamizados por João Aguardela, concorrem ao 5º Concurso de Música Moderna do Rock Rendez-Vouz e ficam em 2º lugar, atrás da banda do seu primo Ar…

Cesário Verde

 Link da imagem
Poeta pintor, poeta repórter

Cesário Verde é um poeta do século XIX que se enquadra na estética realista, ainda que nas suas produções poéticas esteja presente a influência de outras correntes como o Parnasianismo, o Impressionismo e o Surrealismo. Para o autor, o mundo externo conta de modo pimacial , e é através da "descrição" deste mundo (mutável e miscelâneo) que lhe podemos conferir a designação do poeta repórter e poeta pintor.

Por Irene Leite 


Recorrendo ao poema ,  "Num Bairro Moderno" , podemos confirmar esse gosto pela descrição: "Dez horas da manhã; uma casa apalaçada ; pelos jardins estancam-se as nascentes". Ao descrever e relatar esta paisagem , o autor recorre à técnica cinematográfica do corte e da montagem de acontecimentos justapostos, ressaltando-se o seu carácter deambulatório , o que nos leva à conclusão de que Cesário Verde é um poeta repórter. 


No entanto, a sua poesia caracteriza-se também pela existência de uma …