Avançar para o conteúdo principal

Espaço Rock em Portugal





ARTE & OFÍCIO NA GUARDA, EM 1978

 
Em Dezembro de 1976 vi um concerto dos Psico, no Liceu da Guarda, integrado num Baile de Finalistas.

 Por Aristides Duarte

Os Arte &Ofício formaram-se, no Porto, a partir de alguns membros dos Psico, em 1975.
Lembro-me de ver um cartaz que anunciava um Baile de Finalistas, em 1977 ou 1978 (julgo que na Covilhã) com os Arte & Ofício, onde estava escrito qualquer coisa como “Arte & Ofício (com ex-membros dos Psico)”.

Na época os Bailes de Finalistas eram o maior acontecimento musical da região.
Só que, para além dos Bailes de Finalistas, que, normalmente, aconteciam no primeiro período lectivo ou em Janeiro; havia ainda outros eventos, organizados pelos Pré-Finalistas, já que a sede de música era muita.

Vi o cartaz que anunciava o Baile de Pré-Finalistas do Liceu Nacional Afonso de Albuquerque, na Guarda, no dia 8 de Abril de 1978 e, como já tinha conhecimento da banda pelo que lia na revista “Rock em Portugal”, onde eram apresentados como do melhor de Portugal, e por algum tema que ia ouvindo na rádio, não podia faltar.

Na época andava a estudar no Colégio do Sabugal. À boleia, com uns amigos, lá fui ver o concerto, na Guarda.

Neste concerto participaram os Spartaks e os Arte & Ofício. Os Spartaks eram da Guarda e eram a melhor banda da época, a nível regional. Por ela passaram músicos como Márito (mais tarde membro da Go Graal Blues Band) ou o falecido Pi (que chegou a tocar com Rui Veloso). Embora fossem uma banda que só tocava “covers”, eram um verdadeiro acontecimento musical.

Na época não havia primeira parte pelo grupo local e o resto pelo grupo principal. Ambas as bandas tocavam e faziam um intervalo e voltavam a entrar em palco.

Foi o que aconteceu neste concerto: primeiro tocaram os Spartaks e depois os Arte & Ofício, a que se seguiu, novamente, a banda da Guarda, terminando a noite a banda do Porto.

Confesso que este concerto dos Arte & Ofício me deixou completamente “banzado”. Nunca me tinha passado pela cabeça que houvesse grupos portugueses com tal nível de profissionalismo.

Nesta época os Arte & Ofício já tinham lançado dois singles e estavam prestes a lançar um máxi-single (o primeiro disco deste formato, em Portugal).

Foi, este, o concerto que fez com que me tornasse um melómano.
O salão do Liceu não estava cheio (afinal não era bem um Baile de Finalistas), mas estava bem composto.

Os Arte & Ofício eram formados por António Garcez (voz), Fernando Nascimento (guitarra), Serginho (guitarra), Sérgio Castro (baixo) e Álvaro Azevedo (bateria). Todos eles eram veteranos na cena rock portuguesa. Eram mais velhos do que a maioria dos seus contemporâneos. Na época já andariam perto dos 25 /30 anos e a maioria do público seria constituída por adolescente abaixo dos 20 anos.

Lembro-me que Serginho fumava muito, enquanto tocava, e que António Garcez andava sempre com o tripé do microfone a fingir que era uma guitarra. Fernando Nascimento estava quietinho, num canto do palco a solar (e de que maneira!!).

Garcez não parava um bocadinho e ia partindo uma parte da bateria de Márito, dos Spartaks (aquela transparente com listas vermelhas), tal a forma como rodava o tripé do microfone.

Tocaram temas, num estilo bastante “hard rock”, como “Come Hear The Band”, “The Little Story Of Little Jimmy”, “Festival” ou “Marijuana”, todos originais da banda portuense. Este último tema ficou-me, para sempre na memória, devido ao refrão que rezava “ Marijuana Will Be Your Five O’Clock Tea” e que eu nunca tinha ouvido (aliás só sairia em disco em 1981). 

Eu e os meus amigos passámos a noite na Guarda e só regressámos a casa, novamente à boleia, no dia seguinte.

Foi um concerto inesquecível… 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Foto da Semana

Iggy Pop Foto:Annie Leibovitz

Sitiados no Luso Vintage

Link da imagem


Sob a égide de João Aguardela, um talento musical falecido em 2009, nasceu nos finais dos anos 80 uma banda que trouxe para o panorama do rock português a música tradicional. Os Sitiados marcaram (e ainda conquistam) gerações, com novos sons e sobretudo, muito talento e atitude.



Por Gabriela Chagas


O tema “Esta vida de marinheiro” (vendeu mais de 40 mil cópias) é um dos exemplos desse novo som da década. Desapareceram em 2000 , mas deixaram-nos a sua herança. Sitiados, a banda hoje em destaque no Lusovintage do Som à Letra foi beber à tendência sonora dos irlandeses The Pogues.


José Resende (Guitarra), João Aguardela (Voz) e Mário Miranda (Baixo), todos eles ex-Meteoros, juntaram-se assim ao baterista Fernando Fonseca.

À semelhança de outras bandas emblemáticas dos anos 80, os Sitiados também marcaram presença no Rock Rendez Vous. Dinamizados por João Aguardela, concorrem ao 5º Concurso de Música Moderna do Rock Rendez-Vouz e ficam em 2º lugar, atrás da banda do seu primo Ar…

Cesário Verde

 Link da imagem
Poeta pintor, poeta repórter

Cesário Verde é um poeta do século XIX que se enquadra na estética realista, ainda que nas suas produções poéticas esteja presente a influência de outras correntes como o Parnasianismo, o Impressionismo e o Surrealismo. Para o autor, o mundo externo conta de modo pimacial , e é através da "descrição" deste mundo (mutável e miscelâneo) que lhe podemos conferir a designação do poeta repórter e poeta pintor.

Por Irene Leite 


Recorrendo ao poema ,  "Num Bairro Moderno" , podemos confirmar esse gosto pela descrição: "Dez horas da manhã; uma casa apalaçada ; pelos jardins estancam-se as nascentes". Ao descrever e relatar esta paisagem , o autor recorre à técnica cinematográfica do corte e da montagem de acontecimentos justapostos, ressaltando-se o seu carácter deambulatório , o que nos leva à conclusão de que Cesário Verde é um poeta repórter. 


No entanto, a sua poesia caracteriza-se também pela existência de uma …