Avançar para o conteúdo principal

Orelha Negra no Inovaluso




“Sleeveface” remixado


A paixão pelos discos no seu formato mais puro, no seu registo profundo em rodelas de vinil embaladas em capas que se podem agarrar, quase absorver,  foi a razão que juntou estes cinco músicos lisboetas, numa aventura que se chama Orelha Negra.

Por Paula Cavaco 


Os Orelha Negra foram criados em Lisboa durante 2009, durante as sessões de gravação de um disco de Sam The Kid. Assinaram um dos discos mais aplaudidos, nesse ano, no que toca à música portuguesa. Alguns chamam-lhe “supergrupo”. Francisco Rebelo, João Gomes (Cool Hipnoise), Sam The Kid, Fred (Buraka Som Sistema) e DJ Cruzfader (que é como quem diz Cruz (DJ/Scratches), Ferrano (bateria), Gomes Prodigy (teclados, sintetizadores, composições), Mira Professional, (sampler de voz/MPC, composição, sintetizador) e Rebelo Jazz Bass (baixo, guitarra)) são os nomes por detrás das “máscaras” que, em boa homenagem à nobre tradição de “sleeveface” (um movimento que consiste em tirar fotos com vinis, livros ou cds, de um ângulo que faça parecer que a capa tomou vida), se aplicaram nas fotografias promocionais que serviram o disco homónimo de estreia. 


“Orelha Negra”, lançado em 2010, apresenta um resultado entusiasmante de uma busca pelo “soul” e “funk” dos anos 60 e 70, mas sempre sem esconder o orgulho em sonoridades nacionais traduzido nas “samples” de Henrique Mendes, Fernando Tordo ou Júlio Isidro. O disco, instrumental, resultou de um trabalho feito sobre uma base de cerca de 80 esboços de temas dos quais foram seleccionados 12 que, por sua vez, foram exaustivamente trabalhados pelo núcleo de músicos do projecto.

Os sons neste primeiro trabalho são uma espécie de simbiose entre “lounge”, electrónico e sons ambiente, mas também se pode sentir o hip-hop e o neo-soul, resultando assim num calmo “festival” de cores. As músicas são coesas, embora eles variem entre o mais absoluto “relax” ("Futurama", "Tripical") à maior implosão neurótica ("A Cura", "A Memória"), passando por momentos onde a emoção comanda (""M.I.R.I.A.M") e pelo “funky” ("Barrio Blue", "We're Superfly"). O som soa a novo e a fresco e em termos de conceito é bastante interessante.

Ainda com a crítica a seus pés, a banda revelou, no passado dia 2 de Março, através do site da Antena 3, um novo trabalho: “Mixtape” - que tal como o nome indica, é um projecto de remistura dos temas do álbum de estreia da banda. 

Da longa lista de convidados a contribuírem para este novo trabalho dos “Orelha Negra” constam nomes como o de Orlando Santos, Roulet, Dino Tamin & Fililpe Gonçalves, XEG e Hulda, Nerve, Tornados, Dedy Dread & Mr. Bird, NBC, Mind da Gap, Junior Thomas, Conductor e Tamin, Lúcia Moniz, Tiago Bettencourt, Valete, DJ Riot e Vhils. A crítica aplaudiu e nós não somos excepção. 


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sitiados no Luso Vintage

Link da imagem


Sob a égide de João Aguardela, um talento musical falecido em 2009, nasceu nos finais dos anos 80 uma banda que trouxe para o panorama do rock português a música tradicional. Os Sitiados marcaram (e ainda conquistam) gerações, com novos sons e sobretudo, muito talento e atitude.



Por Gabriela Chagas


O tema “Esta vida de marinheiro” (vendeu mais de 40 mil cópias) é um dos exemplos desse novo som da década. Desapareceram em 2000 , mas deixaram-nos a sua herança. Sitiados, a banda hoje em destaque no Lusovintage do Som à Letra foi beber à tendência sonora dos irlandeses The Pogues.


José Resende (Guitarra), João Aguardela (Voz) e Mário Miranda (Baixo), todos eles ex-Meteoros, juntaram-se assim ao baterista Fernando Fonseca.

À semelhança de outras bandas emblemáticas dos anos 80, os Sitiados também marcaram presença no Rock Rendez Vous. Dinamizados por João Aguardela, concorrem ao 5º Concurso de Música Moderna do Rock Rendez-Vouz e ficam em 2º lugar, atrás da banda do seu primo Ar…

Foto da Semana

Iggy Pop Foto:Annie Leibovitz

Cesário Verde

 Link da imagem
Poeta pintor, poeta repórter

Cesário Verde é um poeta do século XIX que se enquadra na estética realista, ainda que nas suas produções poéticas esteja presente a influência de outras correntes como o Parnasianismo, o Impressionismo e o Surrealismo. Para o autor, o mundo externo conta de modo pimacial , e é através da "descrição" deste mundo (mutável e miscelâneo) que lhe podemos conferir a designação do poeta repórter e poeta pintor.

Por Irene Leite 


Recorrendo ao poema ,  "Num Bairro Moderno" , podemos confirmar esse gosto pela descrição: "Dez horas da manhã; uma casa apalaçada ; pelos jardins estancam-se as nascentes". Ao descrever e relatar esta paisagem , o autor recorre à técnica cinematográfica do corte e da montagem de acontecimentos justapostos, ressaltando-se o seu carácter deambulatório , o que nos leva à conclusão de que Cesário Verde é um poeta repórter. 


No entanto, a sua poesia caracteriza-se também pela existência de uma …