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Micro Audio Waves no Luso Vintage


Ano 2000. Os sistemas electrónicos não crasharam com o virar do milénio. Flak junta-se a C. Morgado e iniciam uma odisseia pelo mundo da electrónica a bordo dos Micro Audio Waves, odisseia essa que contará mais tarde com a voz da doce  Cláudia Efe. 

Por Susana Terra 

E assim se inicia a estória desta parceria de sucesso, com Flak (guitarra, ex-Rádio Macau) e C. Morgado (componente electrónica) a efectuar o ponto de viragem para o século XXI , com um projecto algo futurista e embebido em criações minimalistas e experimentais da música electrónica mais purista. Em 2002 surgem os primeiros frutos deste trabalho no álbum Micro Audio Waves.

Com a entrada de Cláudia Efe para o grupo , a orientação sonora dos Micro Audio Waves toma novo rumo, assente em composições mais “clássicas” na onda do electro-acústico, embora mantendo a vertente experimental na criação musical. Com a voz de Efe, surge o segundo álbum do grupo em 2004, o No Waves, cujo single “Fully Connected” surpreendeu tudo e todos ao escutarmos a voz da cantora num registo altamente sensual a debitar instruções de montagem de um aparelho electrónico. O disco No Waves ganhou o importantíssimo prémio Qwartz Electronic Music Awards para melhor álbum de electrónica e melhor videoclip, para além de ter sido considerado por John Peel (sim, o guru da BBC Rádio 1) como um dos melhores discos do ano.



Em 2007 os Micro Audio Waves apresentam-nos Odd Size Baggage, que mantém a peculiaridade da criação de canções baseadas em folhetos de instruções. Down by Flow e Odd Size Baggage são duas músicas a reter neste álbum.

Não contentes com a exploração e inovação no campo da música electrónica alternativa, os Micro Audio Waves enveredam por um novo conceito artístico que alia o som à imagem, os corpos ao movimento cénico. Com o coreógrafo Rui Horta, o grupo concebe Zoetrope. Muito mais do que um disco (também lançado em DVD), Zoetrope rompe as barreiras artísticas ao transportar para palco um espectáculo multimédia indefinível, uma criação híbrida que mistura a encenação do concerto, o movimento, o vídeo e a poesia.

Mais do que escutado, Zoetrope deve ser sobretudo olhado, saboreado e sentido.

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