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Blondie em Modo Pop




No mesmo ano em que por cá tínhamos uma revolução na rua, Debbie Harry e os Blondie iniciavam uma revolução na música e cultura norte-americana, ao criar temas intemporais como “Heart of Glass” ou “Call Me”. 

Por Susana Terra 

Pioneiros do new-wave, do punk-rock, do post-punk e até do disco sound, os Blondie lançam o seu primeiro disco em 1976, mas a estória do grupo surge com a relação amorosa do guitarrista Chris Stein com Debbie, ex-empregada de mesa e coelhinha da Playboy que é agora vocalista do grupo The Stilettos. Em seguida, o casal cria uma nova banda – Angel and the Snakes – mas adoptam o nome Blondie, em virtude dos muitos piropos feitos por camionistas a Debbie.  

Curiosamente, os Blondie tiveram, numa fase inicial, mais sucesso no Reino Unido e Austrália do que na sua terra natal. O disco de estreia, “Blondie”, foi reeditado em 1977 e a banda acompanhou Iggy Pop e David Bowie em digressão. Os singles “In the Flesh” ou “X-Offender” conquistaram a opinião da crítica e um ano mais tarde é editado o segundo álbum, “Plastic Lettres”, mas será o disco “Parallel Lines” (1978) a consagrar definitivamente os Blondie ao estrelato, com temas míticos como “Heart of Glass”, “Hanging on the Telephone” ou “One Way or Another”.  



Com “Parallel Lines” os Blondie emergem do estatuto underground para o mainstream, sendo granjeados ora com rasgados elogios, ora com severas críticas pelo seu sucesso comercial, uma vez que este álbum vendeu mais de 20 milhões (!) de exemplares. “Parallel Lines” rompe com a norma e é porventura um exemplo seminal da new-wave ao integrar uma fusão de sonoridades tão diversas como o reggae, o disco, o rock ou a pop. Ao vivo, Debbie transfigura-se num ser de energia inesgotável, transpirando sexualidade e carisma, atingindo assim o estatuto de ícone. 

Em 1979 os Blondie editam “Eat to the Beat” e mantêm a fasquia elevada com os singles “Atomic”, “Dreaming” e “Call Me”, a canção que conquistou definitivamente os EUA e que figura na banda-sonora do filme “American Gigolo”. “Call Me” é um tema bem-humorado sobre uma prostituta, à semelhança de tantos outros temas irónicos e de humor corrosivo que caracterizam o grupo. Com “Call Me”, Debbie faz história ao tornar-se na primeira mulher a alcançar três #1 nas tabelas britânicas. 



Até 1982 os Blondie lançam mais dois álbuns – “Autoamerican” e “The Hunter” – aos quais se somam incursões a solo de Debbie e Stein. Contudo, a doença de Stein, os problemas judiciais, pessoais e financeiros dos membros do grupo ditaram o fim (provisório) dos Blondie.  

Qual Fénix renascida das cinzas, o grupo reúne-se em 1997 para um concerto e a continuidade do grupo é posta à prova com uma digressão em 1998-99, a par do lançamento do disco “The Exit”, cujo single “Maria” transporta novamente os Blondie para o topo das tabelas de vendas. Seguem-se os álbuns “The Curse of Blondie” (2003) e “Panic of Girls” (2011), o seu último e fresquíssimo trabalho de originais.  

Os Blondie documentam quase meio século de música, cinco décadas de inovação e reinvenção. Em Julho estarão presentes no Festival Optimus Alive. Uma oportunidade única a não perder!

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