Avançar para o conteúdo principal

Led Zeppelin em Modo Classic Rock

 Link da imagem

Inspirada num velho tema de blues, esta declaração de amor carnal correu os tops dos cinco continentes na transição dos anos 60 para 70. A canção encantou a crítica , o público e  escandalizou os elementos mais conservadores da sociedade, ao longo de várias gerações. Recentemente, ouvimo-la no encerramento dos Jogos Olímpicos de Pequim. Reconhece? Falamos de Whole Lotta Love, o tema de abertura do álbum Led Zeppelin II,  que convidamos a explorar no Modo Classic Rock desta semana…

Por Maria Coutinho



Em 1969 Robert Plant e companhia estavam a percorrer os E.U.A. na sua segunda digressão quando gravaram o segundo álbum de originais. Algumas das músicas de Led Zeppelin II partiram de improvisos em palco e reza a lenda que Whole Lotta Love é uma delas. Embora Jimmy Page o tenha desmentido mais tarde, John Paul Jones, o baixista da banda,  declarou numa entrevista que tudo começara com um solo bem conseguido numa interpretação livre do tema “Dazed and Confused”, obtido num dos concertos da banda.

A banda aproveitou o facto de estar nos EUA para ficar algum tempo nas cidades de Nova Iorque e Los Angeles, onde decorreram a maior parte das gravações. O restante trabalho foi feito em Inglaterra, onde Jimmy Page revelou ser (também) um grande produtor. Jogos de microfones, pequenos amplificadores estrategicamente posicionados, a introdução do chamado “backwards echo” (eco ao contrário), e o uso do maior número possível de botões da mesa de mistura criaram uma nova sonoridade que é considerada um marco na história do Rock.

Editado em Outubro de 1969, o álbum foi divulgado com o slogan “Led Zeppelin ll – já está a voar”, e em Abril de 1970 já era disco de ouro nos E.U.A., com cerca de três milhões exemplares vendidos. Rapidamente chegou ao número um do top de Lp’s americano, destronando o mítico Abbey Road dos The Beatles; permaneceu na tabela de vendas inglesa durante 138 semanas, e visitou lugares cimeiros dos tops da França, Japão, Holanda, Canadá, Austrália, África do Sul, para mencionar apenas alguns. Já em 1999, ultrapassada a marca dos 12 milhões de vendas, o álbum recebia a sua 12ª marca de platina.

O legado de Wole Lotta Love é imenso. Conhecem-se dezenas de versões diferentes do tema. Da longa lista de músicos e bandas que nos brindaram com a sua interpretação do tema, destacam-se os nomes inconfundíveis de Tina Turner, Carlos Santana com Chris Cornell, Prince e até, surpreendentemente, a London Symphony Orchestra.

Mais recentemente, o tema brilhou na cerimónia de encerramento dos Jogos olímpicos de Pequim, num fabuloso dueto de guitarra e voz que juntou no mesmo palco Jimmy Page e Leona Lewis, ao lado de Bavid Beckham. A letra foi, no entanto, subtilmente alterada, para ser mais aceitável numa cerimónia dirigida a miúdos e graúdos: “I’m gonna give you every inch of my love” (vou dar-te cada polegada do meu amor) passou a “I’m gonna give you every bit of my love” (vou dar-te cada pedaço do meu amor), versão mais adequada, também, a uma voz feminina.



E por falar em vozes femininas…Não podemos deixar de mencionar a versão que Diana Piedade fez para o tema, em 2010, no programa de TV “Ídolos”. O que facilmente poderia ter resultado numa tragédia musical foi um momento brilhante de rock puro e duro, com garra e presença, que arrebatou o público e o júri do programa.



Sabia que...


Para finalizar, em jeito de surpresa, o que muitos pensam tratar-se de um original dos Led Zeppelin é, na verdade, em grande parte, um velho tema gravado em 1962 pelo grande mestre dos blues, Muddy Waters, e composto por Willie Nixon, com o título “You Need Love”.



Em 1985, perante o sucesso da versão Plant/Page, Nixon processou a banda por plágio e, com o dinheiro que recebeu no acordo que resolveu o assunto, fundou um programa de entrega de instrumentos musicais nas escolas. ”. Também os Small Faces gravaram uma versão do tema mas, talvez por ter tido resultados de vendas mais modestos, não foram processados por Nixon.



Plant viria a comentar, mais tarde, que eram essas a regras do jogo: só quem tem o maior sucesso é alvo deste tipo de atenções.

Para recordar:


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Roquivários no Luso Vintage

Link da imagem O início da década de 80 ficou marcado pelo aparecimento de diversas bandas rock no panorama nacional. A causa foi o estrondoso sucesso do álbum de estreia de Rui Veloso “Ar de Rock” que abriu caminho para novas bandas emergirem. Umas singraram na cena musical, até aos dias de hoje, caso é dos Xutos & Pontapés, UHF ou GNR, enquanto outras ficaram pelo caminho, após algum sucesso inicial. Destas destacam-se os Roquivários que encontraram no tema “Cristina” o seu maior êxito junto do público.    Por Carmen Gonçalves A banda formou-se em 1981 no seguimento do “boom” da cena rock, sob o nome original de “Rock e Varius”. Esta designação pretendia reflectir as influências musicais que passavam por vários estilos, não se cingindo apenas ao rock puro e duro. A música pop, o reggae e o ska eram variantes fáceis de detectar no seu som, e que marcaram o disco de estreia , “Pronto a Curtir”, editado em 1981.   Apesar de a crítica ter sido dura c...

The Feelies em Modo Classic Rock

Link da imagem Um tema original dos Rolling Stones editado em 1966. A letra triste e revoltada, o compasso forte, a voz de Mick Jagger e a guitarra de Richards ficam no ouvido de todos e, umavez que se oiça, é impossível esquecer Paint it Black… Agora em análise no Modo Classic Rock  desta semana, com especial atenção para a versão dos The Feelies: para conhecer ou relembrar. Por Maria Coutinho Depois de ser o primeiro nº 1 de tabelas de vendas onde um dos instrumentos de destaque é a cítara (tocada por Brian Jones), o hino de revolta de Jaegger/Richards ganhou uma nova batida indie/punk pela mão dos The Feelies, a banda de New Jersey que deu cartas na cena alternativa de Nova Iorque desde o final dos anos 70 a 1992. A história da banda é tudo, menos linear: teve de várias formações, diferentes editoras, períodos de actividade e repouso, fracos resultados de vendas, mas muita notoriedade na cena musical alternativa americana. Os The Feelies chegaram a ser conhe...

Patrick Wolf em Modo Pop

 Link da imagem O primeiro Modo Pop do mês leva-o a um universo de excentricidades e manias que só um conhecido senhor na onda electrónica podia praticar. Convosco Patrick Wolf.    Por Ana Luísa Silva Menino mauzão, irreverente e deveras surpreendente. É assim que o conhecemos e é assim que ele se deu a conhecer na cena musical. Mas as pessoas vão amadurecendo, mudando e Wolf está a crescer. O adolescente mais colorido da onda indie começou por lançar dois álbuns que de certo modo não passaram de pouco atraentes ( Lycanthropy em 2003 e Wind in the Wires em 2005), juntando delicados toques de piano e cordas à electrónica mais grotesca. Os dois álbuns foram carismáticos e muito “Patrick-Wolf-adolescente”, mas não chegaram para elevar o artista ao estrelato que ele pretendia.  E é com The Magic Position que Wolf consegue sacudir as nuvens negras e manhosas que se instalaram sob a sua carreira com os álbuns anteriores, redefi...