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Polly Jean Harvey, mais conhecida no meio musical como PJ Harvey, nasceu no meio rural britânico a 9 de Outubro de 1969. Desde cedo teve contacto com a música, e ao longo do tempo foi recriando-se vezes sem conta. É uma das personalidades musicais mais influentes das últimas décadas, tendo conquistado o reconhecimento do público e da crítica. No dia em que é lançado o álbum "Let England Shake" , o Som à Letra visita  a carreira da britânica.

Por Carmen Gonçalves 


A sua carreira teve início em 1991 quando se mudou para Londres com a intenção de frequentar um curso de Artes. Mas em pouco tempo a música ocupou o lugar principal na vida de Polly, e conjuntamente com Ian Olliver (baixista) e Rob Ellis (baterista) formaram a banda “PJ Harvey”. Polly tocava guitarra e contribuía vocalmente, mas os primeiros demos só foram gravados após Ian Olliver ter deixado o grupo e Stephen Vaughan ocupado o seu lugar. 

Nesse mesmo ano, a editora londrina Too Pure, interessou-se pelo trabalho enérgico da banda e gravaram o primeiro single “Dress”, que foi aclamado pela crítica.




A banda deu um abanão no indie-rock, e logo a abrir o ano de 1992 gravaram outro single “Sheela-na-Gig” e em Março saiu para as lojas o álbum “Dry”. Considerado por muitos a obra-prima de Polly, este álbum inclui temas como “Oh My Lover” e “Water”. E até a revista “Rolling Stone” não ficou indiferente ao seu talento, tendo proclamado PJ Harvey a compositora do ano. 

No ano seguinte saiu o novo registo musical da banda, “Rid of Me”. Embora tenha vendido bem, não teve o sucesso do seu antecessor, talvez pelo álbum ser mais pesado e não evidenciar tanto a melodia. Embora o registo discográfico  não tenha tido o êxito esperado, seguiram-se  inúmeras actuações ao vivo. 

Em 1994 o baterista Rob Ellis abandonou o grupo, e Polly decidiu encarar esta mudança, para também alterar o rumo da sua carreira. Entre diversos projectos que surgiram nesse ano, participou na cerimónia dos British Awards, em que interpretou “Satisfaction” dos Rolling Stones, ao lado de Bjork.



Entretanto, PJ escreveu o que viria a ser o próximo registo de originais e tentou contratar novos músicos para integrarem a banda. Este novo álbum foi gravado durante os meses de Novembro e Dezembro, nas cidades de Londres e Dublin, e foi lançado em Fevereiro dde 1995.

PJ Harvey, que já era vista como uma artista a solo, encontrou em “To Bring You My Love”, o seu maior sucesso comercial até então. Este álbum produzido por Flood (dos U2), John Parish e a própria PJ, presenteou a cantora com o reconhecimento perante o grande público e mereceu nomeações para o Mercury Prize e para os Grammys. Neste registo musical encontram-se temas extraordinários como “Send His Love To Me”, "C'mon Billy” e o êxito "Down By The Water".




Em Setembro de 1996 PJ Harvey, em conjunto com John Parish, editou  o álbum “Dance Hall At Louse Point”, resultando numa boa parceria. Mas este ano ficaria marcado pela colaboração com Nick Cave, gravando o single “Henry Lee”, que entrou directamente para o Top 20 do Reino Unido. A participação no álbum “Murder Ballads” e a envolvência mórbida de Nick Cave viria a influenciar a sonoridade de PJ, tendo as suas músicas adquirido algo de mais negro.
Essa sonoridade melancólica é visível no registo seguinte, editado em 1998. “Is This Desire?”, que marca uma viragem na carreira da autora em que os temas surgem com mais evidência na voz do que na melodia, patente em temas como “Catherine”, "The Wind" ou "A Perfect Day Elise”.



A crítica musical recebeu o álbum de braços abertos, e conquistou nomeações para os Grammys, para os Brit Awards e para o Mercury Prize, tornando-se PJ Harvey na primeira artista a receber três nomeações para este prémio. Nesse mesmo ano, estreou-se como actriz no filme de Hal Hartley, “The Book of Life”.

Em 2000  lançou o álbum “Stories From The City, Stories from the Sea”, produzido pela própria , Mick Harvey e Rob Ellis, tendo resultado num tremendo sucesso de vendas à escala global. Inspirada pelo tempo que viveu em Nova Iorque, o álbum é dominado por paisagens urbanas que se podem encontrar em temas como “Good Fortune”, “Big Exit” ou “A Place Called Home”.

Não surpreendendo a crítica e o público, PJ Harvey foi nomeada mais uma vez para o Mercury Prize, Brit Awards e Grammys, tendo vencido, merecidamente, na categoria de melhor performance de rock - feminina - em "This Is Love", e tendo recebido o Mercury Prize de 2001.

O novo álbum da autora “Uh Huh Her” foi lançado em Maio de 2004 e produzido em exclusivo pela própria. Além da produção, Polly tocou todos os instrumentos, resultando num registo mais intimista, e foi bem recebido pela crítica e pelos fãs. Os tempos seguintes foram de digressão e em 2006 foi editado o álbum “'PJ Harvey - The Peel Sessions 1991-2004'”, uma colectânea compilada pela própria PJ. 

Em 2007 foi editado o registo “White Chalk”, produzido novamente pela própria, mas desta vez, com a colaboração de dois amigos de longa data, John Parish e Flood. O álbum assenta num registo intimista e contempla a sonoridade do piano associada à voz melódica de Polly, como se pode escutar em temas como “Grow Grow Grow” ou “Dear Darkness”.

O último registo de PJ até à data foi editado em 2009 em parceria com John Parish. “A Woman a Man Walked By” mostra várias facetas da autora, mas comparando com o registo anterior, pode dizer-se que foi um regresso às origens, às guitarras e ao rock, como se pode verificar através do tema de apresentação do álbum “Black Hearted Love” 

Para este ano está agendada a edição do seu mais recente trabalho, que chega hoje às  lojas. “Let England Shake” prevê ser um sucesso e por cá temos a oportunidade de vê-la actuar, mais uma vez, em Maio. Até lá, fica para escutar o tema homónimo.

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