Avançar para o conteúdo principal

Clarence “Big Man” Clemons – O saxofone mítico



Clarence Clemons,companheiro de Bruce Springsteen na e-street band faleceu recentemente,deixando um forte legado musical, em que o  saxofone é o grande protagonista. 


Por Júlia Rocha 

Clarence's ability to enjoy Clarence was incredible. By 69, he'd had a good run, because he'd already lived about 10 lives, 690 years in the life of an average man. Every night, in every place, the magic came flying out of C's suitcase.”

Bruce Springsteen

Clarence Anicholas Clemons, Jr. nasceu a 11 de Janeiro de 1942, em Norfolk County, no estado da Virgínia, EUA. Sempre foi facilmente reconhecido pela sua grande estrutura, algo que  o ajudou significativamente no saxofone e a tornar-se no membro mais icónico da E Street Band.

Clarence era o mais velho de três filhos. O pai, Clarence Sr., era um mercador de peixe (e o seu avô pregava numa igreja baptista), levando o filho a ouvir muita música gospel. Quando tinha 9 anos, o pai ofereceu-lhe um saxofone e aulas de música.

A família sempre teve um papel predominante no desenvolvimento musical de Clarence
Era bastante influenciado pela música de King Curtis, cujos álbuns lhe foram oferecidos por um tio.

Por pouco, Clarence Clemons não foi uma estrela de futebol americano. Foi para a faculdade graças a bolsas de estudo de desporto e música. Mais tarde chegou a ser chamado pelos Cleveland Browns para prestar provas. Contudo, um acidente de automóvel no dia anterior a essa prova impediu-o de prosseguir carreira na NFL. Destino?


As aventuras musicais até Springsteen


Prosseguindo a vida musical, fez algumas gravações e juntou-se à sua primeira banda, “The Vibratones” , que fazia covers de êxitos de James Brown. Manteve-se neste grupo até 1965, acabando por mudar-se para Newark, em New Jersey. Depois de algumas aventuras musicais, chegou a hora de conhecer Bruce Springsteen.




Existem várias versões sobre a forma como Bruce e Clarence se conheceram. Nos concertos com a E Street Band, Bruce conta versões algo desconcertadas, mas imortalizou este encontro em Tenth Avenue Freeze-Out, que faz parte da mitologia da banda que acompanha o “boss”. Clarence contou a sua versão: em Setembro de 1971, soube que Springsteen estava a dar um concerto nas redondezas e decidiu ir ver, numa pausa das suas próprias gravações. Um olhar e uma conversa chegou para que os dois músicos se entendessem, ficassem amigos, e iniciassem um das mais bem sucedidas colaborações do rock’n’roll.

“How big was the Big Man? Too fucking big to die. And that's just the facts. You can put it on his grave stone, you can tattoo it over your heart. Accept it... it's the New World.”

Bruce também colaborou com a banda de Clarence na altura: The Joyful Noyze. Depois do lançamento de “Greetings from Asbury Park, NJ”, o “boss” juntou um grupo para irem em tour. Além de Clarence também faziam parte Danny Frederici e Vini Lopez, os primeiros membros da E Street Band. 


O saxofone de Clarence toma uma das mais importantes partes no som da banda e do próprio Bruce. Os solos bastante reconhecíveis estão presentes em Born to Run, Thunder Road, Jungleland, Backstreets, entre outras. Springsteen referia-se a Clarence como “The Biggest Man You Ever Seen”.





O seu trabalho com a E Street com certeza que ainda não estava terminado, mas Springsteen disse no discurso que fez no funeral do amigo e companheiro, que este não deixou a banda. Só quando todos morrerem é que o grupo terminará. Neste discurso (do qual apresentarmos excertos, e que está disponível em brucespringsteen.net) fala do companheirismo de Clarence, do fascínio e do apoio.

Durante os anos 80, Clarence Clemons possui um bar chamado Big Man’s Chest, foi casado cinco vezes e teve quatro filhos (Clarence III, Charles, Christopher e Jarod). O seu sobrinho, Jake Clemons, também saxofonista, está a ser apontado como possível substituto no instrumento dourado na E Street Band.

Clarence,  um homem de muitos amores que fez questão de reunir e de manter tudo sem rancores. Esteve também envolvido em projectos de solidariedade. Foi actor, em filmes como New York  New York, entre outros; deu a sua voz nos Simpsons e participou como si mesmo em Blues Brothers 2000.

Clemons sempre colaborou com outros músicos como Aretha Franklin e os Grateful Dead, e Lady Gaga. A sua última actuação pública foi com a cantora na final de American Idol no passado mês de Maio. O musico colaborou em alguns temas como The Edge of Glory, do álbum Born This Way da cantora americana. Em 1985 fez um dueto com Jackson Browne: You’re a Friend of Mine.




O músico já tinha sofrido de alguns problemas físicos: deslocamento da retina, que lhe tirou a visão de um dos olhos, problemas nas costas e joelhos. A 12 de Junho deste ano, o Big Man sofreu um AVC. Foi submetido a várias cirurgias e a revista Rolling Stone chegou a noticiar algumas melhorias no seu estado de saúde. Contudo, a 18 de Junho não resistiu e sucumbiu. Clarence faleceu rodeado dos filhos e da esposa. Foi alvo de homenagem por vários músicos e bandas: U2 (Bono leu a letra de Jungleland em concerto), Eddie Vedder (que soube da morte de Clemons em palco), Bon Jovi e os Phish.
Uma verdadeira inspiração que deixou a sua marca . The Big Man will never die.

“SO LADIES AND GENTLEMAN... ALWAYS LAST, BUT NEVER LEAST. LET'S HEAR IT FOR THE MASTER OF DISASTER, the BIG KAHUNA, the MAN WITH A PHD IN SAXUAL HEALING, the DUKE OF PADUCAH, the KING OF THE WORLD, LOOK OUT OBAMA! THE NEXT BLACK PRESIDENT OF THE UNITED STATES EVEN THOUGH HE'S DEAD... YOU WISH YOU COULD BE LIKE HIM BUT YOU CAN'T! LADIES AND GENTLEMEN, THE BIGGEST MAN YOU'VE EVER SEEN!... GIVE ME A C-L-A-R-E-N-C-E. WHAT'S THAT SPELL? CLARENCE! WHAT'S THAT SPELL? CLARENCE! WHAT'S THAT SPELL? CLARENCE! ... amen.”

Bruce Springsteen

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Foto da Semana

Iggy Pop Foto:Annie Leibovitz

Charles Chaplin

 Filme "Luzes da Cidade" na Máquina do Tempo

Link da imagem

O Amor é cego
O amor é cego, não escolhe idade nem classe social. Não é interesseiro, é invisível e arde sem se ver, como tão bem demonstra Charles Chaplin no filme "Luzes da Cidade", de 1931. A película rodada em época de eclosão dos filmes sonoros é centrada numa história de amor simples, inocente, muda, mas que dá muito que pensar. 
Por Irene Leite 
Antes de mais, destaque para o olhar encantador que Chaplin impregna em cada cena do filme. É a filosofia do Carpe Diem, de viver e desfrutar cada momento, normalmente associado a aventuras deliciosamente caricatas. 
Em "Luzes da Cidade" assistimos à história de amor entre uma jovem cega e um vagabundo. O encontro entre os dois decorre de uma forma espontânea, na rua. O jovem fica logo interessado. Ao longo do seu percurso (sempre colorido na atitude) encontra um milionário excêntrico a tentar suicidar-se. Chaplin com a sua alegria habitual incentivou…

The Vaccines gravam novo álbum em Março

O próximo trabalho dos The Vaccines será gravado em Março e conta com a produção de Ethan Johns (Ryan Adams, Kings of Leon).


Justin Young , vocalista do grupo, avançou ao NME que o álbum será lançado ainda este ano.


Até lá...