Avançar para o conteúdo principal

The Cure em Modo Pop



Num registo bem mais “ligeiro” que o usual, Robert Smith deu a conhecer ao mundo a canção The Lovecats. Será sobre o trágico suicídio de dois amantes? Afogamento de gatos? Ou simplesmente o amor e o desejo?

Por Susana Terra 

The Lovecats é um tema bem dançável e terceiro single do quase desconhecido álbum Japanese Whispers, lançado em 1983, com os lados-B das gravações do Pornography. Com uma linha de baixo soberba e uma melodia em crescendo, esta canção cedo conquistou as pulsões dançantes de uma juventude britânica ávida de música, noite e amor.

Robert Smith afirma que o tema consiste numa paródia estimulada por um (longo) estado de ebriedade: "The Love Cats is far from being my favorite song: composed drunk, video filmed drunk, promotion made drunk. It was a joke.". Consta também que o videoclip foi gravado numa mansão emprestada por um agente imobiliário, por pensar que iria ser comprada pelo grupo. Ainda assim, para “piada” saiu-se bem, dado que foi a primeira canção dos The Cure a alcançar o Top 10 da tabela britânica.

Poderemos interpretar The Lovecats como uma canção sobre amor, sobre o visceral desejo de ter o ser adorado: “We should have each other to tea huh?/ We should have each other with cream/ Then curl up by the fire/ And sleep for awhile/ It's the grooviest thing/ It's the perfect dream”. Ou simplesmente “amar” de forma selvagem, como os gatos “We bite and scratch and scream all night”. Por outro lado, outros  interpretam o tema como produto de um sentido de humor negro q.b. e regado de cinismo, seja pela suposta temática do suicídio, seja pelo bárbaro afogamento de gatinhos “Into the sea/ You and me”.

Interpretações à parte, The Lovecats foi um estrondoso êxito para os The Cure e mostrou a outra faceta do grupo: alegre e com laivos jazzísticos que, a par de outros temas que compõem o disco, como The Dream, The Upstairs Room ou The Walk, constitui uma das mais memoráveis e contagiantes canções de Robert Smith e Companhia.

3:40m de puro deleite. Enjoy!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Roquivários no Luso Vintage

Link da imagem O início da década de 80 ficou marcado pelo aparecimento de diversas bandas rock no panorama nacional. A causa foi o estrondoso sucesso do álbum de estreia de Rui Veloso “Ar de Rock” que abriu caminho para novas bandas emergirem. Umas singraram na cena musical, até aos dias de hoje, caso é dos Xutos & Pontapés, UHF ou GNR, enquanto outras ficaram pelo caminho, após algum sucesso inicial. Destas destacam-se os Roquivários que encontraram no tema “Cristina” o seu maior êxito junto do público.    Por Carmen Gonçalves A banda formou-se em 1981 no seguimento do “boom” da cena rock, sob o nome original de “Rock e Varius”. Esta designação pretendia reflectir as influências musicais que passavam por vários estilos, não se cingindo apenas ao rock puro e duro. A música pop, o reggae e o ska eram variantes fáceis de detectar no seu som, e que marcaram o disco de estreia , “Pronto a Curtir”, editado em 1981.   Apesar de a crítica ter sido dura c...

Patrick Wolf em Modo Pop

 Link da imagem O primeiro Modo Pop do mês leva-o a um universo de excentricidades e manias que só um conhecido senhor na onda electrónica podia praticar. Convosco Patrick Wolf.    Por Ana Luísa Silva Menino mauzão, irreverente e deveras surpreendente. É assim que o conhecemos e é assim que ele se deu a conhecer na cena musical. Mas as pessoas vão amadurecendo, mudando e Wolf está a crescer. O adolescente mais colorido da onda indie começou por lançar dois álbuns que de certo modo não passaram de pouco atraentes ( Lycanthropy em 2003 e Wind in the Wires em 2005), juntando delicados toques de piano e cordas à electrónica mais grotesca. Os dois álbuns foram carismáticos e muito “Patrick-Wolf-adolescente”, mas não chegaram para elevar o artista ao estrelato que ele pretendia.  E é com The Magic Position que Wolf consegue sacudir as nuvens negras e manhosas que se instalaram sob a sua carreira com os álbuns anteriores, redefi...

The Feelies em Modo Classic Rock

Link da imagem Um tema original dos Rolling Stones editado em 1966. A letra triste e revoltada, o compasso forte, a voz de Mick Jagger e a guitarra de Richards ficam no ouvido de todos e, umavez que se oiça, é impossível esquecer Paint it Black… Agora em análise no Modo Classic Rock  desta semana, com especial atenção para a versão dos The Feelies: para conhecer ou relembrar. Por Maria Coutinho Depois de ser o primeiro nº 1 de tabelas de vendas onde um dos instrumentos de destaque é a cítara (tocada por Brian Jones), o hino de revolta de Jaegger/Richards ganhou uma nova batida indie/punk pela mão dos The Feelies, a banda de New Jersey que deu cartas na cena alternativa de Nova Iorque desde o final dos anos 70 a 1992. A história da banda é tudo, menos linear: teve de várias formações, diferentes editoras, períodos de actividade e repouso, fracos resultados de vendas, mas muita notoriedade na cena musical alternativa americana. Os The Feelies chegaram a ser conhe...