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Espaço "Rock em Portugal"



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Revista “MÚSICA & SOM”  


                                                                                                                                                           Este artigo faz referência a uma revista de música que existiu em Portugal, nos anos 70 e 80 do século XX, e que faz parte do imaginário de muita gente que viveu o fenómeno musical nesses anos. 

Por Aristides Duarte 

     Iniciada em 11 de Fevereiro de 1977, a revista “Música & Som”, foi uma das melhores revistas sobre música  surgidas neste país. A revista terminou em 1987, quando se tornou comercialmente inviável manter o título. De publicação mensal, a revista era dirigida por Artur Duarte Ramos e contava entre os seus colaboradores com nomes de grande importância no panorama da crítica especializada. Entre esses colaboradores figuravam nomes como Ana Rocha, Marinho Falcão, Fernando Peres Rodrigues, João Gobern, Nuno Infante do Carmo, Ricardo Camacho, António Sérgio, Jaime Fernandes, Trindade Santos e João David Nunes.  

  As crónicas destes senhores tornaram-se imprescindíveis para quem acompanhava minimamente o fenómeno musical. Uma crítica negativa a um trabalho ou a um tipo de música poderia levar a que um determinado artista ou banda ficassem bastante chateados. Basta referir, como curiosidade, que um dos artigos saídos na revista, em 1977, se intitulava "Arte & Ofício - O Êxito dos Can", dando conta de que a banda portuguesa (que fazia a primeira parte do concerto) teve uma melhor "performance" em palco do que a banda alemã Can, muito famosa na época.

Surgida numa época em que a imprensa especializada em música era muito fraca (existiam os jornais "Musicalissimo" e "Rock Week", ambos efémeros), a revista cedo se impôs no mercado e era como uma espécie da francesa "Rock & Folk", só que à escala nacional. Incluía uma secção de "Crítica de Concertos", onde foram feitas variadas reportagens sobre os espectáculos que tinham lugar no nosso país. Se até 1980 esta secção se socorria de reportagens feitas por enviados especiais a variados eventos que tinham lugar no estrangeiro, a partir desse ano, com a grande oferta de concertos que começou a surgir por cá, as reportagens passaram a ser feitas nos diferentes espaços portugueses, com destaque para a "Catedral do Rock" (como era chamado o Pavilhão do Dramático de Cascais).

Existiam diferentes secções como "Let's Roque" de Nuno Infante do Carmo, "A Música no Dia a Dia" de Pedro Ferreira ou a famosa secção assinada por António Sérgio que se destacava por trazer ao convívio dos portugueses as notícias sobre o Punk Rock e a New Wave, de que ele foi um dos primeiros divulgadores em Portugal. 

          A secção "Banco de Ensaio" analisava, à lupa, um disco que parecia aos responsáveis que era dos melhores editados nesse mês. Eram analisados "A música e o intérprete", "O texto", "A produção, gravação e mistura", "A prensagem" e "A capa". Os discos analisados eram, ainda, como é óbvio, no suporte de vinil. 

       Depois havia a secção "Discos em Análise" com uma crítica mais pequena aos lançamentos mais recentes, em LP e "Calibre 45", referente à edição de singles de 45 rotações.          
         
        Hermínio Duarte Ramos teve, durante muito tempo, uma secção na revista, chamada "...& Som",  onde era feita uma análise aos instrumentos musicais usados por diferentes tipos de músicos (desde os da música clássica aos da Pop/Rock). Raul Bernardo teve uma secção dedicada ao Jazz intitulada “Jazzmania”, e Trindade Santos escrevia uma crónica a que deu o nome de “Ontem, a Música de Hoje “. Várias entrevistas com músicos de renome do panorama nacional e internacional tiveram lugar durante a existência da revista.   
     
         A revista lançou várias edições especiais sobre “Bugsy Malone”, “Beatles” ,“Rolling Stones”, “New Wave”e “Rock Português”, onde eram dissecados todos estes fenómenos. A “Música & Som” organizou, ainda, dois Festivais de Música, no Porto e em Lisboa. No Festival do Porto participaram os Tantra , os Arte & Ofício e os Obciza  e no Festival de Lisboa participaram os Faíscas, Arte & Ofício e Psico. Na época eram das bandas portuguesas mais famosas e mais gente conseguiam arrastar para espectáculos. Considerados verdadeiros sucessos, estes Festivais não tiveram continuidade.           
              
       Na época de ouro da revista, apareceu um novo título, a revista “Rock Em Portugal” que não teve a influência e o sucesso da “Música & Som”, para além de não ser de tanta qualidade, nomeadamente no tipo de papel onde era impressa.            
         
A revista mantém actualmente um site na Internet (em www.musicaesom.pt), embora sem grandes actualizações. Na época em que a revista esteve activa,  ser capa da mesma era sinal de grande pujança no meio musical.

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