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Espaço The Indies

O regresso dos Bloc Party






Depois de um período de alguma incerteza relativamente ao futuro da banda, houve finalmente fumo branco. Não só os Bloc Party estão de volta, como vão fazê-lo com o seu vocalista de sempre e mais, anunciaram já álbum para este ano. É caso para dizer “não há fome que não dê em fartura”. A história desta banda de Londres formada por Kele Okereke, Russell Lissack, Gordon Moakes e Matthew Tong, por sinal uma das mais importantes do indie-rock dos últimos anos, começou primeiro por se chamar Angel Range, seguido de Union, mudando em 2004 para Bloc Party.


Por Bruno Vieira

 Tornaram-se conhecidos quando Kele enviou uma demo aos Franz Ferdinand, que os convidaram a tocar na festa de aniversário da Domino Records. Na sua sonoridade reconhecem-se influências de Sonic Youth, The Cure e Joy Division. De forma a refrear uma certa vocação punk-rock e chegar a um público mais vasto souberam encontrar a fórmula equilibrada entre guitarras salientes e música de contornos pop, revelando desde cedo evidentes preocupações estéticas, não apenas em relação à música. 

A fórmula resultou e depois de um primeiro EP, em 2004, é finalmente editado o álbum de estreia , Silent Alarm , no ano seguinte. A crítica recebeu o álbum com entusiasmo, tendo sido considerado um dos melhores desse ano. Destacaram-se os singles So Here We Are e Banquet, este último utilizado até à exaustão na campanha publicitária de uma conhecida operadora móvel, sendo ainda hoje a música mais conhecida da banda. Para além dos singles principais, fazem parte de Silent Alarm excelentes temas como Like Eating Glass, Helicopter, Blue Light ou This Modern Love. Outro single popular é Two More Years, incluído em edições posteriores de Silent Alarm.



 Em 2007 é editado A Weekend In The City, o sempre difícil segundo álbum. Mais denso e negro, foi menos consensual no que respeita à crítica, embora mais ambicioso nos temas abordados e na sonoridade. Trata-se de facto de um álbum conceptual que fala de temas como a solidão e o desânimo nas grandes cidades. Enquanto Silent Alarm é rock mais contido, A Weekend In The City explora mais as guitarras. Exemplo disso é a faixa de abertura Song For Clay (Desappear Here). 





O single de apresentação ficou a cargo do magnético The Prayer, seguido de I Still Remember e Hunting for Witches, ambos grandes sucessos. Realce também para Waiting for the 7.18 e Sunday. Ainda os ecos de A Weekend In The City se faziam sentir, já os Bloc Party deixavam antever o caminho a seguir quanto ao seu terceiro longa-duração através de Flux, single que no entanto seria ainda incluído numa edição especial do segundo álbum. E é com as electrónicas inscritas na ordem de trabalhos que Mercury, o primeiro single de Intimacy se dá a conhecer. Para o terceiro álbum os Bloc Party contaram com a colaboração dos produtores dos dois primeiros. 

À partida seríamos levados a pensar que a banda queria o melhor dos dois mundos para Intimacy, no entanto todo o experimentalismo posto na sua concepção acabou por resultar num álbum avant-garde, onde as caixas de ritmos e guitarras distorcidas foram mais evidentes que nos álbuns anteriores. O resultado foi um rock menos convencional, capaz de trazer tanto novos fãs como afastar antigos. Para além de Mercury, seriam editados mais dois singles Talons e One Month Off.





 Apesar de faixas como Signs e Halo piscarem o olho a Silent Alarm, Intimacy foi uma espécie de ensaio para a carreira a solo de Kele, que editou o bem sucedido The Boxer (álbum) em 2010, bem como o mais recente EP The Hunter no ano seguinte. O capítulo final de Intimacy não ficaria encerrado sem One More Chance, single editado posteriormente, cuja electrónica menos experimentalista e mais virada para as pistas de dança, evidencia uma sonoridade que se poderá considerar próxima de Madchester.





 A ver vamos se o próximo álbum da banda seguirá este caminho.

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