Avançar para o conteúdo principal

Espaço "The Indies"



James em Viseu, Feira de São Mateus, 20/08/2011





Por vezes quando menos esperamos surge uma boa oportunidade de vermos concertos de bandas que gostamos muito, gratuitamente ou a preço de saldo. No passado fim-de-semana aconteceu precisamente isso, depois de uma espera de quase vinte anos finalmente pude ver os James ao vivo em Viseu, integrados no cartaz da Feira de S. Mateus. Esta falha no meu curriculum levou-me algumas vezes a questionar por que razão nunca tinha assistido a um concerto da banda de Tim Booth, mas no último Sábado, isso já era passado.


Por Bruno Vieira 

Se tivesse estado perto de Cascais, onde também actuaram na véspera, provavelmente seria aí a minha estreia, ainda para mais com a vantagem da entrada ser gratuita. Mas os 5€ pagos em Viseu não deixaram de ser uma verdadeira pechincha tendo em conta o preço médio de um normal bilhete de concerto. O único senão é que o tempo não se perspectivava o melhor, com ameaça de chuva e trovoadas. Mas quer a banda quer o público podiam respirar de alívio, a meteorologia mostrou-se amiga ao guardar as suas piores previsões para o dia seguinte. 


O concerto estava a salvo, apesar de terem caído alguns pingos de chuva pouco antes do seu início. O ambiente da feira com todo o colorido conferido pelas roulotes de farturas e churros e a temperatura amena, já para não falar do cartaz atractivo, fizeram o público acorrer em número significativo para ver os James. Tudo estava a postos para o concerto.

Enquanto no palco se faziam as habituais verificações, o público começava a manifestar-se à medida que o tempo passava. Volvidos poucos minutos das dez da noite, não havia ainda sinal da banda. Eis então que começa a ouvir-se a voz de Booth vinda não se sabe bem de onde. O público olhava em todas as direcções antes mesmo de se aperceber que os James tinham encenado uma entrada inesperada em palco, abrindo caminho através do público que mal parecia acreditar no que via. Estava dado o mote para o excelente espectáculo que se adivinhava.

Juntando os inúmeros clássicos aos quase trinta anos de carreira, já se esperava que algumas músicas ficassem fora do concerto que durou duas horas. É certo que gostaria de ter ouvido temas mais antigos como “What For” ou “So Many Ways”. “Born of Frustration” do início dos anos 90s, também ficou fora do alinhamento, bem como “She`s a Star”, “I Known What I`m Here For” ou “Just Like Fred Astaire”, ausências de certa forma desculpáveis para que tem tanto para tocar e cantar. 


Do desfile de clássicos não posso deixar de destacar um “Sit Down” acústico com o público literalmente sentado no chão do recinto, acompanhando Booth também sentado no palco, criando um ambiente bastante intimista, ou “Laid” já em encore a finalizar em apoteose uma noite para mais tarde recordar. Alguns dos presentes tiveram mesmo a sorte de partilharem o palco com a banda de Manchester.

Antes de terminar apenas umas palavras para a atitude demonstrada em palco - simplesmente irrepreensível! Os James tudo fizeram para agradar o público e conseguiram-no. Apesar de bastante populares no nosso país, acredito que no contexto em que o seu concerto se realizou, parte da audiência não os conheça devidamente ou sequer saiba da sua importância enquanto banda estruturante do universo indie. Outrora considerados sucessores dos The Smiths, tiveram um início de carreira interessante, embora discreto, até se darem verdadeiramente a conhecer quando souberam tirar o melhor partido do som de Madchester.


 A década de 90 trouxe a merecida consagração e crescente popularidade, sem que a qualidade do seu trabalho fosse posta em causa. Os últimos anos têm sido pautados por uma maior discrição e algum desinteresse por parte do público. É aí que o vasto repertório entra em cena o que torna apelativo cada concerto da banda. Os James têm perfeita consciência disso e sabem tirar o melhor proveito do activo que possuem. A já longa experiência de estrada conta muito, constituindo uma preciosa mais-valia. O carisma de Tim Both, o carinho da banda pelo nosso país, a simpatia e a entrega fizeram o resto. Foi assim em Viseu no último Sábado. Espero que outras noites como esta se repitam…

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Roquivários no Luso Vintage

Link da imagem O início da década de 80 ficou marcado pelo aparecimento de diversas bandas rock no panorama nacional. A causa foi o estrondoso sucesso do álbum de estreia de Rui Veloso “Ar de Rock” que abriu caminho para novas bandas emergirem. Umas singraram na cena musical, até aos dias de hoje, caso é dos Xutos & Pontapés, UHF ou GNR, enquanto outras ficaram pelo caminho, após algum sucesso inicial. Destas destacam-se os Roquivários que encontraram no tema “Cristina” o seu maior êxito junto do público.    Por Carmen Gonçalves A banda formou-se em 1981 no seguimento do “boom” da cena rock, sob o nome original de “Rock e Varius”. Esta designação pretendia reflectir as influências musicais que passavam por vários estilos, não se cingindo apenas ao rock puro e duro. A música pop, o reggae e o ska eram variantes fáceis de detectar no seu som, e que marcaram o disco de estreia , “Pronto a Curtir”, editado em 1981.   Apesar de a crítica ter sido dura c...

Patrick Wolf em Modo Pop

 Link da imagem O primeiro Modo Pop do mês leva-o a um universo de excentricidades e manias que só um conhecido senhor na onda electrónica podia praticar. Convosco Patrick Wolf.    Por Ana Luísa Silva Menino mauzão, irreverente e deveras surpreendente. É assim que o conhecemos e é assim que ele se deu a conhecer na cena musical. Mas as pessoas vão amadurecendo, mudando e Wolf está a crescer. O adolescente mais colorido da onda indie começou por lançar dois álbuns que de certo modo não passaram de pouco atraentes ( Lycanthropy em 2003 e Wind in the Wires em 2005), juntando delicados toques de piano e cordas à electrónica mais grotesca. Os dois álbuns foram carismáticos e muito “Patrick-Wolf-adolescente”, mas não chegaram para elevar o artista ao estrelato que ele pretendia.  E é com The Magic Position que Wolf consegue sacudir as nuvens negras e manhosas que se instalaram sob a sua carreira com os álbuns anteriores, redefi...

The Feelies em Modo Classic Rock

Link da imagem Um tema original dos Rolling Stones editado em 1966. A letra triste e revoltada, o compasso forte, a voz de Mick Jagger e a guitarra de Richards ficam no ouvido de todos e, umavez que se oiça, é impossível esquecer Paint it Black… Agora em análise no Modo Classic Rock  desta semana, com especial atenção para a versão dos The Feelies: para conhecer ou relembrar. Por Maria Coutinho Depois de ser o primeiro nº 1 de tabelas de vendas onde um dos instrumentos de destaque é a cítara (tocada por Brian Jones), o hino de revolta de Jaegger/Richards ganhou uma nova batida indie/punk pela mão dos The Feelies, a banda de New Jersey que deu cartas na cena alternativa de Nova Iorque desde o final dos anos 70 a 1992. A história da banda é tudo, menos linear: teve de várias formações, diferentes editoras, períodos de actividade e repouso, fracos resultados de vendas, mas muita notoriedade na cena musical alternativa americana. Os The Feelies chegaram a ser conhe...