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Filme Control na Máquina do Tempo


É num ambiente a preto e branco, que faz lembrar os filmes de Charlie Chaplin, que somos convidados a instalar-nos na mente do nosso protagonista. Ele é alguém que à primeira vista parece apenas mais um. Mais um aspirante a homem de família, mais um homem comum, mais um indivíduo que quer o que todos querem: ganhar fama a cantar.

Por Ana Luísa Silva 
Originalmente publicado a 30 de Setembro de 2010 

Mas esse “mais um”, como se verá com o desenrolar do filme, é alguém especial. Por ser um lutador, um sonhador, um amante, um introspectivo com dificuldade de dar de si mesmo, alguém que conheceremos pelo que canta e não pelo que vive.

Corria o ano de 1980 quando a voz grave do menino frágil se desligou. Ian Curtis, mentor e vocalista dos Joy Division deu o seu último suspiro antes de se suicidar na cozinha de sua casa. Anos depois, esta tragédia tem direito a ser retratada a nível cinematográfico para que todos saibam a verdade.

Control, um filme biográfico de Anton Corbijn (conhecido por estar por detrás dos efeitos visuais de Depeche Modo ou U2), conta a história de Ian Curtis. Uma vida normal e em família era o que levava Ian Curtis nos anos 70, até se apaixonar por Debbie. Casam prematuramente e ainda sem saber o que lhes reservava o futuro.

Ainda nos anos 70, Ian encontra-se com aqueles que seriam os seus companheiros na banda de estreia, os Warsaw que duraram pouco tempo, mudando o seu nome para Joy Division.

Todas as músicas do filme são originais dos Division e encaixam-se na perfeição no desenrolar do filme, pois retratam fragmentos da vida de Ian.

Antes de se tornar no ícone que conhecemos, Ian Curtis teve uma vida calma e sem grandes desassossegos (tirando o seu problema com a epilepsia) trabalhando como um simples funcionário público na segurança social e tinha uma banda. é com este tão ambíguo paralelismo, e com a tremenda capacidade lírica de Ian, nasce “She Lost Control”, inspirada numa rapariga também ela epiléptica.

Esta seria uma das músicas que Ian conseguiu transportar desde o seu pequeno e complicado mundo para o papel. À medida que vemos o desenrolar do filme, conseguimos interpretar facilmente as letras de Ian Curtis. Tão obscuras e pessoais tornam-se quase indecifráveis, não fosse o seu estado melancólico que nos leva até onde a alma do nosso protagonista vive. Ficamos finalmente a compreender o que até à sua morte era imperceptível inclusive para os seus companheiros de banda.

 Ian, apesar da sua tremenda habilidade com as palavras, só conseguia demonstrar solidão e tristeza. Mas nem todos a viam.

Apesar da boa relação com a amante e de todo o dinheiro e entusiasmos investidos na banda, assistimos à queda de Ian Curtis. É então, debaixo de “Atmosphere” que ele cai. O menino que mal vimos crescer, morreu.


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