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Na recta final de 2007 surgia o álbum que abalou as listas de melhores de 2008 , ironicamente. MGMT, ou Management , como muitos na dúvida os citavam, apareciam ao grande público com este inovador Oracular Spectacular, repleto de camadas de sons muito próprios, na descoberta de todo um novo rumo na música indie moderna.
Por Tiago Queirós
A sua música puxa para o psicadelismo, para uma pop fundamentada em sintetizadores sem cair na tentação do mainstream de consumir e deitar fora.
Fortemente aplaudidos, estes hippies dos tempos modernos oferecem um leque de energia dançável misturado em temas envolventes, sem serem progressivos demais para se tornarem algo monótonos e aborrecidos, pelo contrário.
De Brooklyn para o mundo, «Time to Pretend» foi o primeiro single que sem dúvida alguma levantou poeira… Um tema mais do que arriscado para o formato single, e a sua passagem na rádio nacional é algo que ainda hoje me faz alguma confusão, visto que se mistura com artistas e musicas que têm o único intuito de vender a curto prazo.
Este é o preview mais do que perfeito para todo o álbum. A brincadeira de sons e de samples mistura-se na guitarra e no órgão num tema de camadas que nos faz viajar na maionese… o Estereótipo da estrela de Rock é o tema, a voz cristalina de Andrew VanWyngarden encaixa na perfeição ao tom da música. Sem cair em exageros, é dos temas mais bem conseguidos dos últimos anos no panorama indie electrónico.
«Weekend Wars» demonstra-se menos «boa onda» e entra num lado mais político, e não fossem eles os hippies do Séc.XXI, numa de pacifistas. Mais progressivo que o anterior, este tema dá uma maior importância à bateria, que monta o ritmo como maestro de efeitos em espiral.
«The Youth» é o tema que podemos apontar como a balada do álbum por assim dizer. Um hino à mudança e um apelo, não só aos jovens , mas a todos.
Um momento mais descontraído e chill-out, entra no ouvido e espalha-se pelos músculos do corpo. Relaxante e cheio de pequenos pormenores que entram no nosso canal auditivo e que funcionam como pequenas doses de analgésicos. O estado de dormência é selo de garantia.
De seguida o momento alto do Álbum. Dando um seguimento perfeito a «Youth», este título reflecte toda a música. «Electric Feel» é dos melhores temas que tenho ouvido nos últimos anos.
A sequência final é das mais celebradas ao vivo e percebe-se bem o porquê. Fechem os olhos e deixem-se levar.
O sucesso foi instantâneo - «Kids» ficou conhecido como banda sonora de um jogo, mas também como sendo obrigatória em tudo o que é pistas de dança pelo mundo.
«4th Dimensional Transition» traz algo de novo ao álbum. Uma experiência mais “espanholada” na guitarra num ritmo alucinante na percussão da bateria.
«Pieces of What» parece caído por acaso na sequência. A guitarra acústica dita um momento mais cru deste Oracular Spetacular. Retomando o ritmo mais acelerado de outros temas, «Of Moons, Birds & Monsters» poderia fazer parte do leque de músicas escolhidas para single.
Uma música bem experimental e progressiva que tira todas as dúvidas que se poderia ter até à altura sobre este álbum. Complicado de se ouvir e gostar nas primeiras audições, soa muito “avant-garde” . E se o álbum em vez de composições simples tivesse seguido por um prisma menos funcional?
«The Handshake» vai buscar um sample base que soa algo a Daft Punk do tempo do Electroma , no entanto, é com a baqueta a embater na bateria que este tema ganha o impacto esperado...e pelo que parece, havia uma nave a pairar o estúdio na altura... Tal como «Weekend Wars» este tema é cheio de revolta, e de uma politização visível. Um descontentamento sobre o estato das coisas e do mundo que nos rodeia.
Na despedida « Future Reflections» demonstra-se mais indie rock do que outros temas anteriores, será este o futuro dos MGMT?
No final do álbum ficamos com a ideia que falta algo a complementar estes 40 minutos de Oracular Spetacular, será que a magia do álbum passa por aí? Talvez.
Um álbum merecedor de todo o aplauso da crítica que cada vez mais se depara com menos inovação. MGMT é perfeito para quem procura algo de novo, de experimental, de psicadélico , algo que retome de forma futurista os anos 70.
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